Olho
tua foto e minha mente viaja aos dias em que fui apaixonado por você. E esse pronome
solitário, num “bloco do eu sozinho”, escarnece da pureza de meus sentimentos
pela imundície da realidade à que somos impostos. E quando olho tua foto na
verdade olho para dentro de mim mesmo à procura do resto de razão que ficou no
fundo da taça outrora soberba disso que ousei chamar de vontade de amar. E tudo
não passou de uma vontade, na verdade, que pensou ter morrido e agora vaga nos
campos secos que habitam em mim. E o quanto é difícil administrar, eu disse. E todas
as coisas que fizemos juntos em tão pouco tempo permanecerão em mim não sei
exatamente como pois a cada minuto algo de mim se vai para dar lugar a esse
algo de você que nem eu sei exatamente o porquê ainda está aqui. Vai ver é o
jeito, vai ver é o corpo, vai ver é minha teimosia. Ou ainda quem sabe apenas
uma música que não cansa de ser repetida. Da vontade só ficou a lembrança que
se torna vontade de novo numa triste ciranda. Enquanto eu vou querendo entender
eu vou querendo você mesmo sem querer. E toda vez que olho qualquer foto, no
fundo nem sei para onde estou olhando, pois te vejo e não posso te ver pela
impossibilidade de te ter. e todo esse discurso absurdamente apaixonado que
outrora não seria proferido se não fosse essa foto. Não essa, mas essa, quer
dizer, qualquer foto que te arranque o rosto de onde eu coloquei. Sim, a culpa
é minha por ter ousado desejar te amar. E por tantas outras coisas sou culpado
que nem sei. Enquanto isso vou vivendo meu cotidiano e vez ou outra, quem sabe,
olhar uma foto.
Me perdi
de mim mesmo há muito tempo e só agora tenho percebido que o medo do vazio logo
cedo pela manhã nada mais é a falta que eu faço àquilo que eu pensei ter sido
durante anos... uma tristeza profunda que aparentemente não tem motivo e ao
mesmo tempo tem todos os motivos do mundo. A consciência que impregna minha
alma me desarma em qualquer situação. Eu juro que queria ser uma pessoa normal,
como qualquer outra, mas vejo que o destino achou legal me mostrar várias faces
das mesmas coisas. Eu queria ser normal, eu juro. Queria gostar da água do mar
ou até saber nadar. Queria ainda ser menos tímido ou qualquer coisa que facilitasse
minha vida com todas as outras pessoas do mundo. Queria
não ser tão complicado, e tantas outras coisas eu queria...
Hoje eu estou aqui, amanhã
onde estarei?
O açaí não é doce na boca e os dias
não tem sido dos melhores. Dar a vida para outras vidas. Quem faz isso? Minha
mãe fez isso por mim e pelos meus irmãos e quem valorizou ou reconheceu? Não tenho
certeza. A certeza que tenho é que amadurecer é demorado e doloroso, mas não é difícil.
Eu cresci à minha maneira e mesmo que prejudicasse a um ou a outro, foi o que
me tornou uma pessoa melhor. E depois de um longo caminho até aqui olhar para
trás é ter a sabedoria de não se deixar enganar por velhos vícios. Hoje eu
consigo reconhecer os erros e vacilos que cometi por muito tempo. A culpa
primeira não está no vizinho ou nos seus pais. Está em cada um de nós e cabe
apenas a nós mesmos reconhecermos isso, para depois termos maturidade para
lidar com as outras pessoas. Por mais que todos os gatos estejam escaldados,
ainda assim procuro deixar claro pra quem pergunta o que é minha família para
mim. Por mais que seja um exagero meu, infelizmente levei muito tempo para
reconhecer tudo isso que eu disse e mesmo tarde isso me faz melhor. Melhor em saber
que consegui a capacidade de evoluir para poder cuidar dos meus na medida do possível.
E quando vejo que meus irmãos não conseguem fazer o mesmo fico muito irritado
pois tivemos a mesma vida que eu e puderam igualmente escolher entre amadurecer
ou viver como eternas infantilidades. Sim, infantilidade pois “criança” é uma
palavra por demais linda para ser maculada com um comportamento subversivo e egoísta
que não está atento às verdades de cada momento. Sim, fico irritado, pois é
esquecido que o mundo é grande e o nosso umbigo não o preenche por completo. Ter
a sabedoria de falar e ouvir na hora certa e de saber dar paz pra quem precisa
de paz. Minha mãe precisa de paz... eu sinto muito por não ter sido um filho
exemplar e independente do que aconteça minha alma sempre carregará esse peso.
Mas quando me vi onde estou me preocupei em garantir integridade àquela que um
dia decidiu deixar de viver para ver os filhos crescerem. Meus irmãos não
entendem e eu tenho pena por isso. Pena porque não passam de mera merda no
mundo, incapazes de qualquer sentimento sólido. Apenas superficialidades
demoras. Espero que saibam o que estão fazendo com suas vidas e com a vida daqueles
que os rodeiam. Observar a vida e o mundo é fundamental para quem deseja viver
bem com os outros e enquanto isso não é feito suas vidas são vazias e secas e
sobrevivem da força já fraca daqueles que nos fizeram chegar até aqui.
Valorizemos o que temos e aonde chegamos pois foi fruto de muito suor e
energia. Ou cospes no prato que comeu e aproveita pra se matar pois uma vida inválida
é no mínimo injusta e não deve existir jamais!
Não é o momento apropriado para
fazer isso mas não tem jeito.. quando eu cheguei logo dei de cara com uma
carapaça de aço, mas por detrás haviam proteções de vidro que cismavam em
deixar transparente nossas almas que já eram descobertas pela vida. Não me
importei, sinceramente, e até me acostumei. Passeava naturalmente desde então
me pondo voluntariamente ao frenesi do que podia estar sendo sem de fato ser
porque nunca deixou de ter sido. E o ser observado com ninguém observando se
tornou natural nos poucos dias que ali estive... de dentro era apenas eu e eu
mesmo refletido nesses espelhos mal sucedidos que me assustavam todas as manhãs
quando eu era surpreendido comigo mesmo me olhando e me perguntando: ta olhando
o que? Duro. Já a meia luz na área de serviço espelhou a penumbra que é meu
coração e me deixou desnorteado e sem ação. Uma sombra sutil que me jogou na
cara um passado que teima em querer ser presente, esquecendo das pretensões do
incerto futuro que cultivo em meu quintal. E aquele cheiro de casa nova era
apenas uma ilusão de minhas narinas, traidoras! A cada segundo o mundo outrora
rosa foi tomando tons de cinza pelas botas sujas que macularam a inocência
pretendida, nunca real ou alcançada. E
mais uma vez eu aqui, pensativo porque triste e triste porque pensativo,
enfim.. Quando mais eu penso estar me encontrando mais eu me perco no emaranhado
que é minha alma, esse asfalto molhado de chuva e castigado por tudo que aqui
anda. A noite não foi boa e na verdade nem dormi. Não dormi por medo de não
conseguir acordar e a vontade de descontrolar é intensa. Toda uma realidade
mudada por uma necessidade temporária e um desejo demorado e incerto. Até que
ponto vale a pena? Sim, minha alma não é pequena mas já começo a duvidar desse
ditado onde tudo vale. Será? Estou pra fazer a coisa que mais me tira de mim, e
conhecer outros cheiros e outra área de serviço. Espero não ver novamente
portas de vidro para que não me joguem na cara todas as manhãs quem eu queria
ser e até então não consegui. O bom é que estou chegando lá..
E todas essas coisas que não digo..
E toda essa vida pela frente, onde estão meus amigos?
Estão aqui eu sei, mas onde está o que eu pensei ser?
Eu quero viajar..
Sair por aí pra ter certeza que não o único..
Que não sou o único a sonhar,
O único a amar...
O único a desejar sair por aí ...
Sem rumo, sem destino,
E perceber enfim que em todo lugar há vida...
A vida que eu sonhei ou o sonho que vivi nunca tendo vivido..
Quero ir pra China, pro México, pro Japão, pro Chile!
Quero com certeza pegar aquele avião e fugir de mim.
Talvez assim eu diga as coisas que não digo.
... no meio de um mal sucedido planejamento urbano me perco no passado, para
variar. Dessa vez foi diferente, ou a diferença também seja inventada na minha
mente para cobrir buracos no asfalto da minha vida. Abri o notebook e fiquei
vagando na internet e vi algumas fotos e senti novamente alguns abraços e meus
dedos ... Ah esses dedos nervosos por
escrever bobagens precipitadas das quais eu sei que posso me arrepender, se
perderam no teclado e balbuciaram palavras não pensadas.
E
de toda essa utopia de um mundo mais humano, me pego desnudo em tua frente,
tentado uma aproximação comigo mesmo, através de você, ou vai ver com a parte
de mim que ficou contigo naquilo de você que ficou comigo. Não sei explicar, sinceramente.
Apenas sinto e por demais e muito tempo vim trancando meus leões. Deixarei que
se vão e então não me desprotejo para me proteger.
Eu
fico aqui matutando e tentando insistentemente entender o porquê de tantas
coisas mexerem comigo. E dentre tantas outros detalhes, e também entre frases
nervosas e frustradas duma tentativa docente, me perco em meus eus cada, um em
seu mundo.
E
ainda que em mim, neste planeta Terra, mora você que se demora e não se cansa
de estar, num programa de TV ou numa mesa chamada de jantar, onde tudo se tem,
menos a comida que concretiza aquilo que nos fez sentar. E sentar para que? Para
olhar sua cara e ver um misto de coisas que nem sei, ainda que equivocado e
inventado de minha mente insana?
E
que toda sobremesa seja gelatina com creme de leite, e que todo ovo frito seja
feito à madrugada com manteiga de carinho numa porta à beira do caos suburbano
dos mundos de outrora, ora criado para nós, ora feitos para nos destruir. E eu
não entendo o que em você me fez ficar assim, o quanto de orgulho meu me faz
ficar assim, assim como? Assim.. Simplesmente.
Ah,
se eu pudesse escrever em textos um coração “dilacerado” pelas coisas que o
tempo impõe à vida, e se eu pudesse traduzir sentidos como fazem o especiais. E
se todos esses “Ahs” que solto se fizessem revolta, e de toda revolta eu
pudesse me virar. De lado, do avesso, do outro lado tentando sacudir o passado
em busca de um ideal frustrado, que no minuto certo se faria verdade contente.
Não
são coisas difíceis mas são. Ao ponto que saem de mim sem comunicar e me rasgam
ao mesmo tempo que me levam pra bem longe... e de tão longe fico perto, de onde
eu nem queria, talvez. Perto de você...
Perto
dos dias em que ouvíamos a mesma música, e das coisas que você me ensinou, e
das coisas que talvez eu tenha ensinado a você e então meus dedos se seguram
para que eu não me denuncie. Se controlar para não escrever como foi e porque meu
coração se aperta as vezes, imagine você a que ponto cheguei. E sempre me
negando, me segurando, me anulando, por causa sempre de algo ou alguém ou ainda
alguma coisa. E que o digam as formigas no tapete e tantos outros detalhes que
me machucam pela impossibilidade de voltar atrás. As vezes porque não vale a
pena, ou por não querer admitir que você já tenha procurado esquecer de tudo
isso. E então você se pergunta: isso o que? Eu eu, como sempre, digo: nada.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
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domingo, vinte e um de outubro de dois mil e doze
Uma
rádio internacional me trouxe aqui pro word e por mais poético que eu tente
ser, não passo duma narração mal feita, descrição equivocada. A música?
Somebody de Jackson Browne na BOB FM, Santa Rosa, Califórnia. Sim, que bom que
inventaram Rádio Online. Tanta coisa e ao mesmo tempo nada para fazer aqui no
notebook. Meia noite de domingo e eu numa mesa perto da estrada na frente daqui
onde moramos. Sim, me mudei várias vezes e isso é cansativo. As paisagens foram
mudando e as sensações também, não sei explicar, só estava afim de escrever
minhas bobagens.
Hoje
percebi o quão vazio estou. Precisou eu estragar o aniversário de alguém pra eu
perceber isso e não sei o que tem me enchido ultimamente, o que tem me completado,
me nutrindo, sei lá. Vazio eu tô e de mim não sai mais nada que preste. Ou
talvez eu não esteja procurando as coisas certas para me preencher.. e porque
também precisaria eu de algo que me preenchesse? E de quanto eu precisaria para
me sentir confortavelmente cheio? E se eu transbordasse, que iria aparar as
gotas de mim mesmo antes que se vissem jogadas ao chão? Sim, porque se algo me
entra se torna mais do mesmo eu, acredito. E se eu secasse ao vento? Quem me
iria chover dentro de mim novamente? Mas como eu disse, são apenas minhas
bobagens.
Hoje
eu me senti vazio. Vazio do tudo que pensei estar me completando. Veja este
texto por exemplo. Não sei até que ponto deixei essa coisa de universidade me
esvaziar. Acreditem, estou incomodado por o texto não estar justificado. O que
eu fiz comigo? Afinal essas letras em arial com espaçamento 1,5 vão me tornar
algo especial? Muitas perguntas, nenhuma resposta e nenhuma perspectiva de
resposta. Estou vazio do tudo que queria simplesmente ser... porque existir já
se faz aos montes por ai, o mundo não precisa de apenas mais uma existência. Vou
aqui pela madrugada, ouvindo a BOB FM, onde tocam de tudo e ao vivo, e onde
minha mente consegue viajar até o outro hemisfério fazendo-me sentir
estranhamente bem antes de lembrar que amanha têm aula.
Amanhece no vilarejo e já temos que alimentas as galinhas.
Peguei um pouco de leite enquanto minha mãe apanhava lenha para o fogo. Talvez
comamos um bom leitão, não sei. Os dias tem sido calmos e um pouco de cerveja
quente sempre alegra as noites frias de lua nova. É inverno agora e os campos
descansam deitados e serenos. Temos alguns grãos no porão, mas não temos
certeza se serão suficientes para todo o inverno. Não se tem muito que fazer
nessa época e então sentamos à beira da lareira e tecemos longas horas a fio as
roupas de nossos esposos e falamos sobre quando a primavera chegar e cuidamos dos
animais que sempre precisam de carinho. Não vejo a hora de celebrar o próximo
equinócio! O inverno tem um lado bom, mas nossas almas ficam desprotegidas
quando a Deusa Mãe fica longe de nós. Ela foi ao submundo trazer de volta o
sol... Temos muito medo de ficar sem comida, mas sempre conseguimos atravessar
a fase escura do ano e os primos das terras mais ao leste também sempre mandam
alguma ajuda. Os teares precisam de reparos e a lenha tem que ser buscada mais
uma vez... os guardas reais tem rondado nossas terras. Disso também temos medo,
pois nunca se sabe o que eles querem ou a quem procuram. Fuça o fundo de nossa
alma alertas ao mínimo sinal de paganismo. No fundo eles têm medo que gente
como a gente descubra novas formas de ter poder que não fazendo parte da corte.
Palavras copiadas de um blog e lidas ao som de um
vídeo antigo numa manhã pálida nessas bandas de Ilhéus que a televisão teima em
fantasiar. Aqui não estamos às maravilhas e os corações andam dilacerados, e
nem sempre há um sol que possa nos iluminar o caminho. Sim, uma tristeza enorme
me tomou hoje logo pela manha, num assalto à minh ‘alma e eu pensei em você... Você
que pensa não ter valido a loucura – e eu não fui o suficiente louco para te
valer. Meu coração uma bagunça em meio às obrigações nossas de todos os dias, e
eu me perco imaginando um passado que quis existir, póstumo. Não sou bom com as
palavras, mas tento me expor em textos assim como o fazes. Talvez lido, alguém me entenda. E como é
engraçada a tristeza.. ela senta ao seu lado e te chama para dançar sua loucura
sem ao menos saber se você queria tal bailar. E então aqui estou eu, caminhando
em direção à um futuro incerto e distante e confiando que tudo terá um sentido
e que depois irei rir de todo esse sofrimento. Hoje me limito a uma mesa com um telefone. Meu
notebook e todas as tralhas tecnológicas daqui que me fazem companhia. A vida
ficou sem graça e hoje eu queria me rasgar. Sim, aquela velha sensação de
querer se derramar e jogar na sua cara minha angústia assim como você o faria. Angústia
da loucura de querer exclusividade e de todo complexo de inferioridade que me
faz companhia, também. E em quantas mentiras eu mergulhei, e quantas esperanças
eu afoguei, e então me pergunto o que sou e por que ou quem eu existo. E um
futuro distante não está sendo mais o bastante para me manter vivo e cada dia é
um pouco do agonizar antes da morte, e o quanto eu queria ver outras
paisagens... ou admirado por outros olhares. Ah, minha vida.. um verdadeiro
segredo de liquidificador nesse mundo secreto onde me trancafiei e ninguém jamais
entrou.. nesse “jamais” custoso de dizer, difícil de ouvir, impossível de
compreender onde me desfaço e mesmo nos pedaços há centenas de segredos jamais
ousados em aparecer. Talvez se eu
continuar comece a falar asneiras, ou quem sabe me transforme em uma.. obrigado
a você por me ler ou me ouvir, por tentar, nem que seja por um minuto, me
entender. As coisas não estão boas por cá. Estão as coisas boas por aí? Enfim...
E lá vai ele construindo em sua mente a ideia de um papo que
pode dar certo ou não..
Ele toma banho preocupado e chega ao tão esperado destino.
Toma um café, titubeia entre uma visita e outra, tenta encontrar a brecha certa
para falar e de repente sai.
Sai da boca dele
aquilo que todos temiam. Aquele pedido de socorro que ninguém queria ouvir
porque escondem uma verdade podre que não pode ser jogada à mesa.
E então mais podres são seus corações por pensarem estar
sendo justos com aquele que sempre quis fazer parte de uma felicidade distante.
Igualmente distante está o seu dedo de onde ele pretende
chegar, como num sonho ou algo impossível.
Ele se arrependeu. E quando todas as dúvidas em sua mente se
tornaram certeza ele simplesmente se transformou em outro. Ou talvez naquilo
que sempre pensavam que ele fosse.
E assim será melhor. Sim. No mínimo serviu para mais uma
constatação. Uma entre milhões notadas durante esses anos.
Ontem eu chorei...
E quando você nada pode fazer, você ainda pode chorar.
Se debruçar sobre sua janela e contar aos ventos da pista todas as suas angústias.
Olhar para os carros sem dono e dizer-lhes o que dói a alma.
Sim, ontem chorei...
E na alma eu tô numa jaula sem grades,
No meu corpo eu estou numa grade sem jaulas...
E cada vento que passava levava um pouco de minha história.
Se chorei? Sim, o fiz...
Chorei porque cheia está minha taça,
e os vidros, delas já quebradas, me cortam os pés, cansados.
e mundo se torna pequeno quando penso em sair por aí.
Palavras soltas, ao vento dessas pistas, com rumo a outros universos.
Sim, este não é bastante pra minh'alma, cheia dessa vida, sim, nem tanto cheia, mas, cheia.
E quando sinto que nada posso fazer além de ao destino me entregar,
Eu ainda posso,
Chorar.
E quando você nada pode fazer, você ainda pode chorar.
Se debruçar sobre sua janela e contar aos ventos da pista todas as suas angústias.
Olhar para os carros sem dono e dizer-lhes o que dói a alma.
Sim, ontem chorei...
E na alma eu tô numa jaula sem grades,
No meu corpo eu estou numa grade sem jaulas...
E cada vento que passava levava um pouco de minha história.
Se chorei? Sim, o fiz...
Chorei porque cheia está minha taça,
e os vidros, delas já quebradas, me cortam os pés, cansados.
e mundo se torna pequeno quando penso em sair por aí.
Palavras soltas, ao vento dessas pistas, com rumo a outros universos.
Sim, este não é bastante pra minh'alma, cheia dessa vida, sim, nem tanto cheia, mas, cheia.
E quando sinto que nada posso fazer além de ao destino me entregar,
Eu ainda posso,
Chorar.
O amarelo do Sol, o Azul do céu e o branco furado da Lua através
da janela da biblioteca, que não mais física me trás estranhos sentimentos e certo
Dejavu. Costumo pensar que quando eles
acontecem, essa sensação de já ter vivido aquilo, é porque tudo está caminhando
como deveria ser e que minhas tantas realidades estão alinhadas e amarradas na
pluralidade da quântica.
Hoje eu fui olhar um apartamento onde dividiremos o aluguel,
o Tássio, o Pedro e esse Eu. Subindo as
escadas, a mesma sensação me ocorreu e então mais uma vez fiquei a pensar sobre
o destino que as coisas parecem querer tomar. E antes todo bem ou mal estar fossem esses mas
antes mesmo de iniciar o dia, ao ler parte de um artigo para minha monografia, percebi,
como quem já conhece esse ou aquele sentir, que já o tinha feito, em algum
momento ou realidade...
Penso sobre o mestrado ou sobre ficar, não por querer e sim
por uma ligeira incapacidade intelectual, talvez. e é engraçado ficar olhando aqui da janela... a retina apalpa o alumínio
e o vidro se negando a continuar sentindo tudo isso ao ver o conjunto que forma
a Lua, o Céu e o Sol.
Estou aqui a meditar sobre lugares, não lugares e lugares virtuais
e então fico imaginando os possíveis lugares nos quais eu posso estar dentro de
tão pouco tempo... Estar longe da família já me provoca tudo isso, e quem sabe
o que eu sentirei longe de meu lugar?
Talvez um outro eu esteja olhando a mesma janela e pensando outras
coisas... pensamentos ou não as sensações são incríveis.
Uma nostalgia do que não ocorreu com uma saudade do que não
passou e o sofrimento pelo que poderá ser... ser e estar, pensar.. existir!
quarta-feira, 2 de maio de 2012
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de quem já viveu [muito] pouco pra quem tem sede de viver
depois de cavalgar por horas numa muriçoca, não fui à uma festa a qual fui convidado...páginas vazias guardavam mistérios nunca imaginados e lá me foram lidos os autos da morte do ícaro, pobre diabo. saindo das costas dela resolvi andar de carro e por um momento me distraí. não lembro se foi com o céu ou com o chão.. só lembro que uma forte luz se aproximou e não demorou eu estava no hospital geral, no leito 2 do quarto 703, cheio de máquinas ao meu redor e no prontuário tinha: coração quebrado e mente deslocada; tempo de recuperação indeterminado. não conseguia me mexer mas tinha uma TV que dava pra assistir.. no new york times os astronomos da NASA anunciavam que tentariam uma viagem tripulada ao lado escuro da lua, a lua velada.. bom, sou amante da filosofia mas o espaço - universo me intriga bastante. fiquei ali, deitado e pensando sobre tudo.. sobre a carencia de um sorriso, sobre a felicidade que um dia me escorreu pelos dedos, sobre meus sonhos.. Ah, meus sonhos. alguém os pisou um dia assim como isso que eu nao sei o que me pisou quando eu estava distraído me trazendo pra esse quarto. semanas a fio e eu estava voltando... agora ja consigo sentar, conversar sem cansar, escrever! pedi à enfermeira um caderno velho e uma caneta mas quando tentei escrever nada saía...lembrei entao que um "amigo" costumava me dizer que os primeiros versos se agarram em nossos dedos se recusando a se transformar em carne. mesmo assim cortei meus dedos e preguei os versos no papel. e isso me fazia lembrar o quão "Inominável é o vazio que assola meu peito, me fazendo proferir palavras que não convinham ser lidas por olhos humanos." Dias e mais dias se passaram e então recebo liberação para ir para casa. isso nao diz que eu esteja bem, mas que eu posso continuar me recuperando sozinho. ao caminho de casa olhei para o céu e fiquei desnorteado por um momento pela dor de admitir que minha vida, ao contrario da vida de meu "amigo" esta inerte, em coma lá no quarto 703. sem verde, sem chão. daí um tufão de perguntas e sensações me invadiram e eu comecei a questionar todo o real tempo que ali eu estava... será que foram apenas 6 meses? um ano? meu deus meu deus! aonde estavam minhas memórias? o pânico era profundo e o sentimento de vazio ia crescendo "Pois as memórias que hoje me visitam, espetaculosas, são as daquelas noites em que trocei sorrisos e juras naqueles olhos admiradores..." mas tudo isso antes de eu olhar para o maldito chão ou céu naquela estrada que me acidentaram. Estou perdido pois perdi um espaço que não sei se realmente tive, confesso, e nao sei por onde me esgueirar... fico então no nada, eu, a lua, o caderno, o céu e a rua numa rima pobre em prosa sem verso que condena os apaixonados e destrói o "eu" enamorado.
Amanhece e a cama me prende. Sou bombardeado por milhares de sensações e pensamentos e me perco dentro de mim por um segundo, naquele intervalo onde não se está dormindo ou acordado. Nostalgia. O sol, o dia. O chocolate e a raiva. Essa passada, de cinco anos atrás que ainda me tira a calma e me faz repensar aquilo que o mundo me obriga a querer ser. E há tantas coisas por querer no espaço que não nos deixa tempo para isso. É viver ou viver ainda que eu o tenha parado de fazer. AH, viver. Tão bobo e tão complexo onde um simples gesto muda todo um destino comprovando assim que o caos existe. Qual contexto nos conecta? Qual conexão faz minha loucura? Tanto quanto desconectado se faz esse pretenso texto dentro de uma sólida, porém muda, realidade, que grita ao ver passarem os anos e nada consegue fazer pra reviver um momento. E talvez a vida não passe de um, ou um e meio. Ou talvez eu te envie um email e não sei se irás responder.. se lesse poderia sentir a então nostalgia do chocolate, ou da raiva, quem sabe, poderia querer, poderia viver. Poderia de repente me entender e então serias mais doce, assim como aquele doce que te dei há cinco anos e continuo dizendo que cinco é um numero bonito de ser dito. Mas o dito pelo não dito continuarei vivendo ou tentando. Me distanciando dos sentimentos à medida que me aprofundo na ciência provando mais uma vez minha falta de talento e sensibilidade para com as coisas do coração. Ou as deixei morrer? Ou fugiram da seca do sertão de meu coração? Seco ou não eu lembro quando sentastes no batente e ficastes com raiva e daí vem a nostalgia. Quero um chocolate. Quero sol na cara. Quero ficar na cama por mais um minuto, ou quem sabe um minuto e meio...
Dizem que só se valoriza algo quando não se tem mais.. Uns gostam da frase, outros não concordam e no fim tudo não passa d’uma questão de maturidade. Minha vida atual não é plena. Sobrevivo dos restos do que fui um dia.As manhãs de domingo tinham cheiro de família e o nossa cozinha era o ponto de encontro. Todos acordavam quase que na mesma hora exceto mainha, que preparava o café. Uns tomavam banho, outros não, outros se abraçavam e outros se estapeavam no sofá por causa de um carrinho quebrado que o outro não queria dar... o sofá, a propósito, era pequeno e isso fazia a gente ficar juntinho toda vez que podia, principalmente nas manhas de Domingo...
Não existia preferência, computador ou sequer uma TV enorme.. A diversão era encontrada no outro e na casa, em cada parede esburacada ou ainda em cada coisa que não tínhamos, lá estava ela e nós nem sabíamos.
E na verdade nem dormíamos. Na noite de sábado cada um se encaixava ao seu modo e assim se virava a madrugada e isso era bom.. O cheirinho de minha mãe, as brincadeiras de meu pai e a companhia de meus irmãos.. e tudo isso me faz tanta falta que esta é mais uma das madrugadas que eu acordo assustado sonhando com a saudade que sobrevive de mim.
E ainda que isso seja um sonho mal escrito, mexe muito comigo. Essa família foi nocauteada pelo destino com e eu nem sei como explicar isso.
Nunca vi tanta loucura, revolta e lágrimas de uma vez só. Eu já tive uma família que eu pudesse chamar de minha. A lembrança é uma faca encravada em meu peito e que ninguém vai tirar porque faz parte de mim. Hoje eu tenho lembranças que me arrebatam de forma cruel e sufocante àquela realidade, e me fazem sofrer de saudade pelo tempo que se foi e poderia ter sido mais bem vivido.
Os homens resumem milhões de anos de história em breves livros enquanto eu não consigo descrever em meia página míseros 5 minutos. Antes eram 6 mas era muito, depois pensei em 4 mas já era pouco, então parei nos 5 por ser um número bonito de ser dito. Terminado o tempo combinado descemos de nossos altares e fomos obrigados a pisar o chão que pisa a ralé. Um breve fenômeno meteorológico me impediu de seguir a diante e então esperei, e já nos primeiros segundos daqueles 5 minutos algo incomodava meu coração. Sim, eu tenho um. Um pouco antes desses segundos iniciais nos abraçamos amistosamente e então eu olhava os pingos caírem no chão morto e pensava na besteira que eu iria fazer se saísse daquele local sem ao menos te abraçar com intenção. E então o fiz. Despi-me de todos os pesos que me prendiam àquela porta e, aguardando tua aprovação, fui ao seu encontro. Foram os 4 minutos e poucos segundos mais interessantes de toda a minha existência. Foi nesse momento que as engrenagens pararam e foi alí onde eu me vi inocente e ao mesmo tempo cheio de culpa. Eu te abracei, senti seu cheiro e me assustei quando olhei teus olhos e neles pude ver sua alma e ela não tinha chão. Eu não sabia onde eu podia segurar mas também não tinha certeza se eu estava caindo ou flutuando pois só me lembro quando você puxou meu braço com força e me tirou de onde eu não deveria ter entrado. Fui expulso de dentro de você como se expulsa uma praga da lavoura e antes todo mal fosse esse porque nesses segundos que se aproximavam dos 5 minutos você deixou algo em mim que cresceu e me fez perder o controle. Esse é o fato. Já entreguei os pontos mesmo disposto a costura-los novamente se for necessário. No fundo e na verdade nada disso teria acontecido e então eu não estaria desse jeito. Foi tudo culpa do tempo, de todos os sentidos possíveis. Se não estivesse chovido eu não esperaria a chuva passar e estaria a caminho de casa ao invés de estar em seus braços. Se você não tivesse me olhado daquele jeito eu não estaria inquieto na companhia de terceiros esperando a chuva passar. Protelo em palavras nos 5 minutos mais longos de minha vida na tentativa de conseguir matar você dentro de mim pois sei que há muito estou morto pra você, como algo que não existiu, algo que não teve importância, naqueles breves e eternos 5 minutos. Preciso me molhar... ou comprar um guarda-chuva!
Falta de ar e aperto no peito são as sensações que me acompanham já faz alguns dias... Sentado estou e assim fico tentando encontrar dentro de minha mente uma solução para que eu não sinta saudades de você e então percebo que não há solução porque não foi eu quem jogou você dentro de mim e sim você quem veio morar em mim como quando um poceiro encontra terras longínquas. Dentre as obrigações que comumente tenho está você, num telefone celular ou na frente de um PC não consigo conter a agonia que dilacera meu peito quando lembro que poucos minutos foram suficientes para provocar um grande estrago em mim – como a terra que recebe um furacão por causa do vôo de uma borboleta. Talvez seja mais uma ironia do destino querendo provar que a teoria do caos realmente existe e vive como uma praga entre nós, meros mortais viventes. O que antes me fazia sorrir já não faz mais e meus olhos já não encontram razão para olhar o por do sol porque o próprio sol se recusa a aparecer. Devagar a noite cai, mas parece que nada acontece porque habito o abismo eterno e não há quem me dê a mão e se houve algum dia, me perdoe, eu não percebi. Não sei ao certo ainda se tudo isso é bom ou ruim, pois há muito tempo eu não me sentia assim, vivo mesmo que me matando. Quando paro pra pensar como estou fazendo agora a única palavra que invade minha visão é “por que” seguida de um monte de “se’s”. Eu poderia enumerar a quantidade deles mas já estou exausto e o farei em outro momento. Por enquanto são apenas coisas para se pensar, pois ainda, aparentemente, nada se pode fazer, ou não consigo fazer, ou não me deixam fazer... e então para mim tudo não passa de uma idéia do que poderia ser, que se confunde com as loucuras de Platão, totalmente utópicos – esses pensamentos.
Meus olhos estavam fechados, mas eu podia ver por entre as pálpebras daquela quase meia noite do dia passado. Eu estava dormindo e ao mesmo tempo acordado Meu coração revolto tomou sua imagem e transformou em movimentos, gestos e sons e não houve outra pessoa em mim que não fosse você. Imaginei cada passo seu em minha direção, pois perigoso é o momento em que um pé ultrapassa o outro na tentativa de nos manter em pé. Depois de te deixar exausto com minhas palavras o mar invadiu a cena onde antes era um hotel, e as portas cuidadosamente enumeradas se transformaram em ondas soltas e entregues aos caprichos do destino. Eu já não sabia mais em que grão de areia você estaria ou talvez e na verdade eu não sabia em qual grão de areia eu estaria. Estou preso nesse mar com seu sal que nada perdoa e preciso me encontrar. Talvez eu seja levado pra casa por alguém que faça artesanato ou talvez eu vá parar nas solas e algum chinelo velho de pescador; logo eu, grão de areia. Me aceitando como pequeno posso entender o porque das jangadas voltarem sempre antes do por do sol quando na verdade o que eu preciso entender é que eu sou um grão de areia. Agora perdido não sei o que sentir quando lembre do breve momento que me senti gente e passeava por portas enumeradas onde tudo era novo e velho, onde realidades diferentes se encontraram e uma mostrou à outra o porque elas devem se separar. Aquelas mesmas ondas me jogam contra as pedras e cada golpe me lembra de quando fui gente, e me lembram de como foi bom olhar nos teus olhos naquela fração de segundos onde as engrenagens de todo o universo travavam e só existia a distancia entre nossas bocas. E quão distante está o caminho para seu coração e eu, grão de areia, agora de um deserto, não imaginei tamanha distancia. Agora o que era mar virou miragem. Posso imaginar um oásis mas sei que não é verdadeiro. Os ventos sempre sopram por essas bandas de vez em quando e por mais que eu lute contra vou esperar você ser soprado pra cá com os ventos daquele segundo cenário. As palavras agora vão se perdendo. Estou sentindo que estou te perdendo; não porque o tive mas porque não consigo caminhas nesse deserto. Minha memoria começa a falhar. Tá tudo embaçado... e eu grão de areia nos olhos fechados de alguém deitado imaginando tudo isso.
Não sei o nome que vou dar e prefiro nem nomear já que é tão bom e ao mesmo tempo ruim;
Começou quando menos se esperou (esperando sempre)
Nada de comunal, nada estranho e não houve explosões...
Uma dúvida e um golpe do destino . o que nem tinha nascido começou a morrer
Como um círculo incompleto na escuridão de nossos corações
Alguma coisa ficou estranha. Talvez tenha sido eu, talvez você.
Não sei em que estado devo ficar, tanto de espírito quanto de lugar;
Vou vagando pelos espaços vazios em mim na esperança de me esbarrar em algo que eu não saberei o que é porque está escuro.
Pode der eu, pode ser você, quem sabe?
Nunca mais eu tinha passado por esses altos e baixos,
Nunca mais eu tinha desejado como desejei.. ah, e como imaginei o que não podia ser imaginado.
E agora só existem lágrimas batendo às portas dos meus olhos..
O que eu sou pra você? (e tenho medo de você nem ter existido)
Falsidade! Quanto do teu veneno jaz nas presas das serpentes? Ou levas tão a sério teu nome enganando até a pior das víboras? Estendeste uma mão com um sorriso e na outra empunhava uma lâmina sutil que se desesperava enquanto não sentia o derramar do sangue quente sob costas inocentes até que este pobre diabo desse o último suspiro.
Bela e doce falsidade, que nesta prosa aparece em perfeição e com graça abate a presa desatenta; que pousou em minha tenda e se fartou em meu banquete. Que tentou contra minha vida destilando numa taça sua vingança, por não ter o que desejas pois o nada não te quer e o vazio te despreza.
Seu amor é morto e seu ventre estéril. Tua boca sangra e suas palavras fogem de ti pelo medo de serem maculadas por tua essência doentia. Pobre alma incapaz de ser amada pelo nada que sempre foi. E se traz uma bagagem essa é de ilusões onde tudo daria certo e não dá, onde toda luta é vã sem durar e qualquer alegria atrofia antes mesmo de reinar.
Vitoriosa falsidade! Que enxuga meu pranto e acalenta minh’alma com suaves pequenas palavras. Linda arte de manipular sem medo; o dom de iludir e olho-no-olho olhar me fazendo acreditar que sinceridade não é coisa rara – mas é sim sinhô!
Dias contados são os seus oh eterna falsidade, não por mim nem por suas costas largas; O tempo sempre responde a tudo!
Dentre tantos acontecimento e ilusões que já surgiram utópicas, uma certeza: nunca mais lerei blogs! (ou pelo menos tentarei não faê-lo, principalmente no momentos de tristeza. Eu me encanto , me iludo e me faço perder dentre verdades jogadas, ao vento? Não! Na rede... nesta rede onde todos pensam, estar não estando, criando a ilusória sensação de companhia. Hoje foi a ultima vez (eu acho e acredito) que eu li um blog.. e nele estavam escritas coisas de amor e de eterna e louca paixão, coisas de romance e de perfeição, coisas que há muito tempo não vivo de fato! Sim, confesso. Não vivo e amaria viver e antes todo mal de uma sentença fosse esse “ria” que dá um gostinho de que “quase foi” sem ter ido. Mas porque não foi? Foi culpa minha? Sua? De quem? To no escuro e nada vejo...apenas ouço o barulho do mar que me chama pra lutar novamente por tudo aquilo que me deixa vivo de verdade e não apenas existindo.
Cada passo que dou vou observando corpos, olhos, mãos e cada um me diz uma coisa diferente.. qual ouvir? O que o destino me reserva? Ou o que estou preparando como destino? É eu ou ele? Como será? Pensar demais, agir de menos e ver os anos passarem como em “carolina” do Caetano... como fugir disso? Ou como deixar isso ir sem remorso? Sinto que falta um pouco de organização.. lá em casa e dentro de mim! Lá eu sei quem pode arrumar mas e aqui dentro? Quem se atreve? Não tenho tido saco pra escrever... já fui muito bom nisso e a ciência já não é mais culpa de eu estar frio.. vou parando enquanto não leio mais sobre amores e paixões..
Através de um âmbar eu pude ver o passado e o futuro sangrando meus olhos como sangra a seiva que o faz das velhas e cansadas árvores do nosso planeta igualmente exausto do nosso comportamento.
Exausto estou! Eu vazo de mim mesmo e não sei pra onde escorro. Seria sorte se eu virasse âmbar... A saudade me corrói e as mágoas me destroem. Mágoas Pelo que fiz, pelo que estou fazendo e pelo que deixei de fazer e então aquele “se eu pudesse voltar atrás” é a única frase que me faz companhia, arrasando mais ainda meu coração quando percebo que isso não passa de ilusão, ou quem sabe a verdadeira utopia.
Indecisão é meu nome e não é qualquer música que me acalma. Não é qualquer soverte que me satisfaz e não é qualquer pessoa que me completa.
“a força do beijo, por mais que vadia, já não sacia mais”
To sem tempo, sem grana e sem força.
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