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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 0 comentários

alegrias em migalhas

Dizem que só se valoriza algo quando não se tem mais.. Uns gostam da frase, outros não concordam e no fim tudo não passa d’uma questão de maturidade. Minha vida atual não é plena. Sobrevivo dos restos do que fui um dia.
As manhãs de domingo tinham cheiro de família e o nossa cozinha era o ponto de encontro.  Todos acordavam quase que na mesma hora exceto mainha, que preparava o café. Uns tomavam banho, outros não, outros se abraçavam e outros se estapeavam no sofá por causa de um carrinho quebrado que o outro não queria dar... o sofá, a propósito, era pequeno e isso fazia a gente ficar juntinho toda vez que podia, principalmente nas manhas de Domingo...
Não existia preferência, computador ou sequer uma TV enorme.. A diversão era encontrada no outro e na casa, em cada parede esburacada ou ainda em cada coisa que não tínhamos, lá estava ela e nós nem sabíamos.
E na verdade nem dormíamos. Na noite de sábado cada um se encaixava ao seu modo e assim se virava a madrugada e isso era bom.. O cheirinho de minha mãe, as brincadeiras de meu pai e a companhia de meus irmãos.. e tudo isso me faz tanta falta que esta é mais uma das madrugadas que eu acordo assustado sonhando com a saudade que sobrevive de mim.
E ainda que isso seja um sonho mal escrito, mexe muito comigo. Essa família foi nocauteada pelo destino com e eu nem sei como explicar isso.
Nunca vi tanta loucura, revolta e lágrimas de uma vez só. Eu já tive uma família que eu pudesse chamar de minha. A lembrança é uma faca encravada em meu peito e que ninguém vai tirar porque faz parte de mim.  Hoje eu tenho lembranças que me arrebatam de forma cruel e sufocante àquela realidade, e me fazem sofrer de saudade pelo tempo que se foi e poderia ter sido mais bem vivido.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011 0 comentários

era uma vez num sonho...


Estávamos  você e eu andando em alguma rua da cidade aqui a procura de pincéis pra algum tipo de pintura.. A sensação do óbvio da compra desses pincéis foi me faltando aos poucos como se eu soubesse de fato pra que era os pincéis e de repente eu já não fazia a mínima idéia pra que aquilo, mas até então não manifestei surpresa pois estava com você  e então pra mim tava tudo bem...
Chegamos em casa, era uma casa um pouco maior que a atual de um verde mais escuro com os móveis dispostos junto a parede tendo o efeito de um corredor largo com uma mesinha e uma prateleira até o acesso ao quarto que era parecido com o atual só que quase o dobro.
Eu olhava pra prateleira e via cada coisa legal, mas ficava na minha.. é como se eu soubesse e não soubesse ao mesmo tempo o que era aquilo tudo e pra que servia mas era nossa casa e eu estava com você e então estava tudo bem...
Eu lembro que ainda perguntei pra você o que iríamos pintar e você disse:
- Oxe amor, ta besta é? Esqueceu das plaquinhas eletrônicas que nos encomendaram..? Essa é assim ó.. ai pegou e me explicou....  era um quadrado de mais ou menos  8 x 8  cm com pequenas quadriculas e as bordas desse quadrado vinha já com uma espécie de tinta preta ou alguma cor escura e então nós dobrávamos essas partes escuras e você me ensinava, com desdém pois já havia me ensinado, que primeiro pegava  umas gotas de tinta colorida tipo arco-íris bebê e jogava no quadrado e então as próprias quadriculas iam se ajeitando como num toque mágico da então famosa nanotecnologia... eram plaquinhas bio digitais, tinta e quadriculas HP e então você disse, vamos deixar isso pra depois...
A gente desceu a ladeira e eu estava perguntando a você onde que estava  meu mapa da aula de cartografia e você me perguntou se eu estava tirando onda com a sua cara .. que tinha um bom tempo que eu não estudava cartografia e que eu estava quase me formando só que eu não lembrava de nada disso e a sensação só piorando me deixando com o peito apertado e angustiado... e então eu pensei na idiotice da possibilidade de eu ter vivido tudo isso e me esquecido ou não sei como eu pulei pra frente três anos de minhas história... eu não vi calendários no sonho mas a sensação era de três anos pra frente... e então minha avó entrou na nossa casa fumou um cigarro sentada e eu tentando me acalmar fui dando uma de Zé e perguntei cadê os meninos de Cléa... ai ela disse que estavam em Itabuna estudando e ai lá vem você com uma foto de Letícia enorme eu ia ficando mais apavorado... e eu perguntei sobre Lucimara e ela disse que Luka tinha deixando o filho com urandi e tinha ido trabalhar e minha convicção era de lembrar de Lucimara quando tinha ficado grávida e então eu tinha a certeza  de que aquilo não estava certo e que eu estava certo e estava querendo chorar.. já sentindo a situação perguntei cadê mainha... ela ainda brincou com você..  – Dê um remédio a ele que ele não está bem não...
Minino sua mãe está em casa... ( quando eu disse que ia ligar pra mainha vir na minha casa minha avó continuou) ... Henrique você está de palhaçada é? Minino tua mão não consegue andar não você esqueceu  foi? Ai eu comecei a chorar e uma sensação tão ruim o coração tão apertado quando tive plena certeza de que de alguma maneira eu não tinha vivido os últimos três anos de minha vida... e só voltava agora..( mas quem estaria no meu lugar senão eu mesmo) e chorando perguntei por meu irmão... e ainda disse:  _ minha avó cadê o gordinho..?
Pareceu por um minuto que ela levou a sério como se eu tivesse esquecido as coisas e disse:
_ Seu irmão morreu rapaz já tem um 7 meses... ele estava trabalhando com o sogro e eles sempre andavam atrás de pedras e ai ele brincava, venha pedra minha, venha pedra minha.. e um dia  um cascalho bateu nele....Henrique você está me fazendo de idiota é? Ei, você, leva ele no médico pra ver o que ouve..  mas eu sabia que aquela não era minha realidade.. achava impossível eu apagar da época que vivo pra três anos pra frente.. e as coisas até na minha casa estavam um tanto tecnológicas e eu me desesperando e chorando fui pegar um quadradinho pra pintar....
 
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