Primeiro me fale de você e o modo pelo qual seus
lábios irão balbuciar cada palavra irão revelar quais são seus medos mais
camuflados. Hum, fala pouco - certo. Não consegue completar frases e não chama
à boca as palavras certas no momento exato. Preocupante. Hum.. Frequentemente
fica confuso sobre o que quer expressar, o que está pensando e como acha que
deveria ser cada situação. Complicado. Vamos ao diagnóstico? O.K. Vamos
lá... Você não é original. Sua originalidade poderia ser conquistada se você
conseguisse confiar mais em si mesmo. Você tem o medo como carro chefe de sua
vida. Você acha isso saudável? Seu medo de fracassar e de ficar sozinho faz com
que você sempre faça as piores escolhas de sua vida. Deixa de ter
satisfação e alegria prolongadas pela simples ilusão de tudo aquilo que se
pretende sólido, numa fugacidade voraz que te corrói a alma aos poucos. Você
não tem capacidade de decisão e isso te atrapalha. Em todos os sentidos.
Oscilar entre o sabor de um sorvete e entre qual caminho seguir na vida
certamente não é ação de toda inteligente ao passo que você, com esse
comportamento, abre espaço para o impensado e o não desejado configurando
um quadro crônico de infelicidade. Você é um saudosista equivocado. Prefere
manter falsamente vivas memórias de um tempo que não foi tão bom quanto teus
pensamentos fantasiam. Pura utopia, diria eu. Seu quadro psicológico atual
denota frustração por uma oportunidade perdida, ainda que não manifestada
prontamente. Aparentemente deixastes de ser feliz por medo de arriscar o novo.
Por medo de se aventurar. Você se entregou quase que completamente, de corpo e
de alma, e procurou se isentar da culpa. Isso é patológico. O individuo com
essa configuração não possui a capacidade plena de voltar-se a si mesmo e essa
incapacidade produz negativas consequências, tanto para o individuo, quanto
para todos que os cercam. Fique-se claro a importância de se ver, se perceber.
Quando voltamo-nos a nós mesmos conseguimos perceber quem somos nós frente ao
mundo e o que queremos enquanto seres vivos. Depois conseguimos atribuir nos
exatos setores da vida cada ação e cada consequência. Você tem essa
dificuldade. Esquece-se de admitir para você mesmo a sua parcela de culpa em
todas as situações e isso te traz, mais uma vez, infelicidade, pois passará a
vida a procurar, de forma vã, aquele espinho que provoca sua dor e nada
encontrarás. Sim, por tudo que aconteceu, você também é culpado. Na verdade, o
maior culpado. Você esquece que está em suas mãos o poder da decisão, num sim
ou num não, e se cala. Ao se calar, você consente e se torna cúmplice de toda a
história. Você aparentemente teve uma oportunidade de mudança mas a
desperdiçou, provocando ainda mais dor. O que fará daqui pra frente? Conseguirá
finalmente amadurecer? Saber decidir? Falar corretamente? Ter confiança no que
sai de sua boca? Sem contar que não consegue perceber um palmo à sua frente
pois fantasia um mundo onde as pessoas são ótimas e elas não o são. Então como
queres seguir sua vida? Achavas justo sua posição confortável, tendo tudo ao
seu alcance e nada que te tirasse dessa zona miserável de comodidade onde
vives? Ter alguém que chama de "seu" e que só cumpre papéis sociais definidos,
e no momento da fraqueza ou da tristeza, ter aquele idiota que chamas de “amigo”
porque é um dos poucos que consegue manter um diálogo contigo? Esqueceste de
quem te fez companhia quando na verdade quem deveria não estava presente? Você
acha isso justo? E ainda mantinha o discurso de que estava comprometido? Na terra
dos corações saudáveis, ter um compromisso sério com alguém, num
relacionamento, requer confiança, respeito, cumplicidade e principalmente
vontade, e sua vontade por alguns dias fora de beijar outros lábios. E ainda
assim não tens culpa de nada? Precisas decidir. Perdeste muitas coisas na vida
e continuará perdendo enquanto não se posicionar de forma digna frente a si
mesmo. A maior dignidade, respeito e fidelidade que podemos praticar é conosco
mesmos e você se boicota vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano. Você
tem um sonho? Persegue-o. Você tem um amor? Lute por ele. Você tem ideias?
Concretize-as! Não sabe por onde começar? Comece dizendo todas as manhas, se
olhando no espelho, que você é capaz e que vai fazer de seu dia um
acontecimento único cheio de satisfação e alegria. A isso chamo de felicidade e
o amor virá com o tempo. Se valorize. Se ache bonito, você o é! Aprenda a se
posicionar e a dizer sim e não nos momentos certos. Torne-se uma pessoa normal
como todas as outras pessoas nesse planeta. Seja mais você e não fique com medo
de perder as migalhas de atenção e sexo que você tem. Você poderia ter tido
muito mais que isso e jogou fora, simplesmente. Poderia ter se sentido,
verdadeiramente e pela primeira vez em sua vida, pleno em alegria e satisfeito
por viver. Toma tua parcela de culpa para si e processe-a dentro de você até
que todo cascalho vire pó e sua existência absorva a mensagem que sua alma precisa
para continuar vivendo. Você pode ser feliz, se você conquistar essa
felicidade, claro. Vai ver, existe alguém pelo Brasil esperando você evoluir. Esse é o diagnostico. Está liberado. Espero que volte aqui mais vezes.
Sempre surgem novas dúvidas.
O
que seria de mim senão minha mania de fazer “longas cartas pra ninguém”? pois é
moço, juro com os pés juntos que a intenção era apenas fazer uma doação.. um
fogão velho de chamas frias se fora e como num lampejo no revelar da lâmpada da
cozinha me vi ao lado de alguém especial. Eu não sabia explicar, apenas senti,
moço. sim, os dias passaram e depois de ter tocado seus lábios tive uma
certeza: eu estava apaixonado e não pude evitar. Tudo se encaixava
perfeitamente. Desde as ideias até cada pequeno caminho de nossos corpos. Tive
vontade de gritar ao mundo aquilo que explodira meu coração, mas não podia
esquecer que estávamos no labirinto do minotauro. Não sei exatamente se preciso
ou devo ficar preso àquilo que se julga natural, comum ou normal. Os dias
passaram e eu tive algumas certezas em meu coração. Precisávamos sair dali.. eu
vesti minhas asas e voei. Voei e voei e esqueci que o sol derreteria a cera que
colava minhas penas.. sim, eu amei alguém moço.. se era amor? Não duvida de
mim! Eu sei o que estou falando. Foi amor moço! Juro! esse alguém me fez querer
voar como nunca alguém foi capaz. cada lágrima que derramo toda vez que me
lembro da minha queda se unem ao mar no qual me afoguei ao cair. Eu caí. Não fui
capaz ou bom o suficiente. Não pude provar de forma rápida que ao meu lado esse
alguém especial estaria seguro e feliz. Fracassei, confesso. Não ouvi quando a
vida me alertou. Hoje sou apenas uma lembrança desnecessária que nem quer
existir.. não passo de mais um contato entre tantos outros numa velha agenda de
celular. Isso dói, mas nada se compara a dor do sol queimando minhas costas, me
fazendo cair.. fui longe.. dentro de mim, e estava me preparando para ir longe
fora de mim também. Eu não fui o escolhido e preferi deixar.. talvez eu
encontre outro par de asas.. Eu tenho um sonho, moço e não vou deixar de
sonhar. Ainda que mais uma vez eu caia e me afogue, sempre me fascinará o
brilho do Sol e as asas talvez não sejam mais de ilusão. Talvez essas palavras
sejam as ultimas gotas de cera derretida nesse voo. Sddsjp.
Mal tinha eu começado a pintar as paredes e o teto já desabava.. e os quadros que eu pendurava foram vertidos em tintas sem razão.. e quando percebi estava eu a rasgar meu estômago, de baixo para cima com uma faca enferrujada que gritava por sangue, para que escapassem as cruéis borboletas que ousei engolir. A vontade era de arrancar as asas de cada uma delas e vê-las em lágrimas também.. mas no fim eu estava exausto demais. Deixei-as fugir. e de que adianta agora pensar em palavras que possam traduzir o que eu tenho agora no lugar do sentimento que elas, malditas borboletas, carregaram? Existem apenas para espalhar o caos. Batem as asas e fazem furacões.. e eu que só queria um abraço, um beijo e uma companhia.. me vejo perguntando de novo pro vento sobre o tempo que a vida vai continuar fazendo isso.. e se o tempo não der pá, pelo menos tenho o vento pra meu cheiro até você levar.. para que você não esqueça do quanto você foi feliz nos breves segundos que esteve ao meu lado. Segundos estes que poderiam ter se multiplicado à eternidade, pois estamos por aí.. replicados em universos paralelos. Mas uma decisão foi tomada e mais uma vez o vida bifurca nossos destinos em direções opostas e eu já não sei se vamos desaguar no mesmo oceano. Eu, simplesmente, preciso continuar correndo.. descendo os montes e vencendo os vales.. preciso que o tétano não me mate e então poderei aprisionar mais borboletas, já que aquelas que você me deu estão perdidas e não sabem mais voar. Se arrastam no rastro das lágrimas deixadas pelos amantes. Vou-me costurar o caráter nos pedaços de carne que ficaram abertos e a linha será de cautela para evitar borboletas que mudam de lugar. E eu bem que pensei que quando não tivesse qualquer coisa, teria você.. pra abraçar, pra chorar, mas na verdade foi você mesmo quem me mostrou a faca enferrujada.. compreendi e não pude evitar. Orgulho e sentimentos estão feridos sem noção de quando vão se curar.. não consigo imaginar que alguém pode ser tão sincero quanto eu fui.. but you dont care.. but i care!
Hoje adormeci brevemente enquanto
ao lado o notebook rodava um vídeo do psicólogo Flávio Gikovate, que falava
sobre separações amorosas.. então eu sonhei com ele num programa que eu via
pela TV, dando essa palestra mas na ocasião do sonho, ele estava vestido com
uma espécie de túnica e estava num púlpito e muitas pessoas o assistiam falar..
me lembro do vídeo no notebook e exatamente de cada palavra proferida no
sonho.. e então o sonho na verdade eram imagens sincronizadas com o áudio que
eu, enquanto dormia, ouvia. Mas como podia meu subconsciente saber que, num
exato momento do áudio, o Gikovate falaria do livro tal escrito no ano tal e
apresentaria o livro à plateia em meu sonho, e no vídeo ele também apresentar o
livro? Como poderia eu saber que naquele exato momento de tantos momentos.. ele
falaria cada palavra daquela? Palavras ditas ao mesmo tempo em realidades
diferentes? Seria impossível.. Outro
sonho que tive certa feita foi quando eu tinha acabado de almoçar, coloquei o
CD da Jewel e dormi. Sonhei que eu estava numa mesa com meu irmão e do lado
tinha um rádio e eu queria ouvir uma música e então, no sonho, eu peguei o CD
da Jewel e coloquei e quando começou a tocar no sonho, era exatamente a mesma
musica que estava tocando no radio do meu lado, pois acordei no meio dela e foi
como se eu continuasse a ouvi-la, só que acordado. Como meu cérebro saberia cronometrar
o tempo de alguns acontecimentos no sonho como o fato de eu ter levantado pra
pegar o CD em relação ao tempo exato que
a musica na nossa realidade iria começar? Como é possível essa sincronia? Eu
mesmo sem saber, adivinhei? Mesmo dormindo? Qual a explicação para isso? Eu de
fato estava lá! Naquele mundo, sentado ouvindo o Gikovate. Eu era eu mas com
outra realidade. E naquele exato momento o Gikovate dava sua palestra e tudo
estava sincronizado. Apenas a realidade que era outra. Conclusão? Definitivamente,
sonhos não existem como pensamos que eles são. Os sonhos na verdade são
Universos Paralelos que conseguimos experimentar nos momentos de falta de consciência
ativa, já que nosso corpo é limitado e só consegue processar a consciência de
uma existência por vez. Em todos os momentos em que sonhamos, seja durante o
sono ou não, estamos visitando nossa existência paralela, vivenciando outros
eventos que não são possíveis necessariamente neste universo, pois cada um
possui regras próprias para todas as coisas. E ao que me parece, é possível que
a ciência chegue a essa conclusão com a ajuda dos avanços nos estudos da física
quântica. A consciência consciente entraria em colapso existencial se pudesse
ser experimentada em sua plenitude. A solução natural para essa questão foi
resolvida quando o próprio universo se divide nas incontáveis possibilidades a
respeito de todas as coisas. Então, quando estamos sonhando, na verdade estamos
vendo através de nós mesmos em outro universo, ou possibilidade de existência!
Com qual certeza falo isso? Com a certeza com a qual se acredita no Big-Bang! A
morte é ilusão. Já estão dizendo os cientistas.. e talvez os espíritas tenham
um pouco de razão.. não se deixa de existir pois existimos por ai em outros
mundos.. se morremos nesse universo, em outros estamos vivos! Nossas consciências
estão de alguma forma interligadas, afinal somos nós mesmos em outras
realidades! Universos Paralelos? Eu acredito!
três foram as tentativas,
frustradas, de escrever ontem aqui. Depois de voltas e voltas em palavras sem
nexo... pára! A quem quero enganar? Eu não ia conseguir falar da mudança ou de
qualquer outra coisa, e não podia continuar. Só consigo agora lembrar de um sorriso que me
toma o pensamento.. do perfume que fugiu do abraço e de um olhar sem palavras
que o possam descrever... não pude segurar as lágrimas ouvindo Resentments e
não consegui parar de sentir o cheiro que você deixou bem aqui no travesseiro..
Uma certeza estranha misturada na tristeza de ter que deixar você mesmo antes
de a ti pertencer.. e quem diria que um dia estaria eu aqui falando dessas coisas,
como um bobo apaixonado que nada quer entender. Apenas se afirma na contenção
de sentimentos que não podem florescer, pelo menos por enquanto. “eu não entendo
de armas mas acho que levei um tiro seu”. Sabe.. eu sou porta que poucos
conseguem destravar e não sei se bom ou ruim, parece que você tem uma dessas
chaves.. não consigo pôr aqui o que sinto quando teu cheiro me invade e
infelizmente em instantes ele ficará desgastado e sairá. Tomara que seja o
tempo de vê-lo novamente.. cada gargalhada e cada sorriso.. e seu jeito, sua
ideias, aiai.. e toda vez que eu ouvir a Bey vou lembrar de você e de seu
jeito.. juro que não queria te deixar.. não é fácil me arrancar sorrisos e ninguém
nunca fez um brigadeiro tão bom! E como eu costumo pensar.. vamos ver o que o
tempo tem em sua caixinha. Quero construir certezas, sair daqui sólido. e a gente se pega desenhando corações.. e não vou ficar me perguntando se as decisões que estou tomando estão certas ou erradas.. vou deixar o fluxo correr.. deixar o universo se expressar.. vai que eu me case com vc? ;)
.... e a propósito, quem nunca se viu em reflexo no fundo de uma xícara de café quando descuidadamente vira o ultimo gole e olha sem objetivo lá pra dentro? Algo que dizem te deixar acordado unido a algo que promete te dar a ideia de como você está num abismo distante que te acorrenta e te transporta pra antes e pra depois, dentro e fora de você, numa paixão retumbante pelo que um dia foi, diferente do que era antes, sem nunca deixar de ter sido, metamorficamente mudando sem ser mudado. Lembrança da infância e os dos tempos de outrora numa saudade cravada no peito como espinho venenoso que aos poucos te mata e te aviva fazendo você ir lá e cá para dentro e para fora de você te deixando incapaz; de falar, de agir, olhar o reflexo. Coisas aparentemente insignificantes que remetem no fundo, literal ou não, a tantas coisas e ao nada e de tão engraçado ou curioso que possa parecer a gente se pega na vontade de colocar mais café, mas o reflexo ao fundo nos observa e então não sabemos bem o que fazer além de olhar de volta...Toma o reflexo para si ou toma-o com açúcar para que não te arrebente tua garganta com o amargor da vida que levas. gélido e duvidoso olhar que não dá trégua e te aprisiona no desejo de entender, sem deixar ser entendido, como funciona a vida, o reflexo e o café. Tá parado refletindo? Afinal, você quer?
Henrique Moreira Neto
e dessa vez, o que me trouxe aqui? O passado que já está distante.. A nostalgia de reviver na mente algumas lembranças e sentir o coração bater de novo. Eu era pequeno ainda e caminha com velhos amigos em direção ao Polivalente.. Acordávamos cedo pelo simples prazer de andar bem devagar, chutando as pedras ate a entrada da sala.. A rua em frente costumava ser maior vista de lá do passado. Pisa no pé, vôlei e baleado.. Quem nunca? Os anos foram passando..paixões foram surgindo e então me vi mudando.. O engraçado é que as melhores partes a gente sempre guarda com carinho.. As que não valeram tão a pena sempre nos foge. Uma olímpicos de rolo registrou algumas cenas... E é engraçado como o universo fica preso à fotografia. O momento se congela num pedaço de papel que arranca aquilo de seu coração e então cada detalhe é reconstruído. Os anos continuam passando e hoje a rua é pequena e o velho banco já não nos cabe. Sempre éramos 5 ou 6.. Uns ficaram, outros sumiram e eu aqui estou. "caminhando e cantando e seguindo a canção.." Nunca vou deixar de no mínimo afirmar o quanto é difícil expressar o bem que o tempo nos faz.. e como éramos, e como somos, como pensávamos, como agíamos..hoje foi uma noite nostálgica. me vi, me vejo e me projeto, num contínuo vir-a-ser.. nostalgia..
Ei! Fiquei zangado não. Só ignorei pois não concordei com sua conduta.. tenho outro nível de compreensão das coisas e entendo que toda verdade se desfaz por serem elas, as verdades, todas relativas. E também cultivo o respeito e o bom senso e minhas opiniões passam por vários crivos antes de chegarem a outros ouvidos. Quase me senti ofendido, na verdade, mas ignorei. Você tem um jeito de levar a vida, eu tenho outro, e assim somo 7 bilhões de mentes e corações diferentes entre si e carregados, cada um com suas convicções. Para mim, amor próprio é esquizofrenia. Amor eu sinto numa relação com o próximo. Relação de qualquer tipo. Acredito na auto estima, auto valor, auto respeito, sobretudo. O que não me dá o direito de dizer que você é louco por dizer que se ama. O que não te dava o direito também de dizer aquelas coisas da forma como disse. Você confunde auto satisfação com amor próprio, talvez por medo ou receio, mas isso só diz respeito a você. Quem sou eu pra julgar alguém? Medite nessas palavras. Com carinho. Henrique.
Cheguei na casa de minha mãe, liguei o notebook e comecei a
organizar uns arquivos e outras pastas.. e quando me dei conta estava
assistindo aos vídeos que eu gravava lá no escritório da Vivocell. Fiquei
olhando a cara de cada um e meditando em todo o tempo que eu fiquei por lá e
comecei a pensar sobre o que é saudade, o que é amizade e o que é despedida. Despedidas, sinceramente, não gosto. Caiu a fixa. Saí da
empresa e está vindo uma nova fase, e por isso digo que a vida é como um jogo
as vezes. O que fica são as fotos, os vídeos e principalmente as lembranças.. é
estranho se afastar de quem a gente ama.. não sabemos exatamente o que pensar
ou como agir.. a gente vai deixando a maré nos carregar.. Só sei que por trás de cada “kiki”, ou de cada grito tipo
“sai daqui Henrique!” ou então do recente “butowisky” existe um sentimento
muito bom que não será esquecido e que estará presente em mim até que eu volte.
Sim, pretendo voltar e guardarei tudo isso em meu coração. Tô me sentindo estranho, não vou negar. não tô muito inspirado não... Talvez tenha
desaprendido a me expressar.. mas ainda consigo amar! Sim, amo cada um de
vocês, e cada um do seu jeito. Vocês que fazem parte de minha vida e que me
ensinaram muita coisa. Essa noite caiu a fixa. Essa noite eu chorei. E vou
lembrar sempre de todas as coisas que passamos juntos. Somos uma família!
Pois me doparam certa feita..
Doses cavalares de compreensão,
e me despiram do ego,
e me vestiram respeito,
Me roubaram o chão.
E me rasgaram o orgulho,
E me erguiam bondade.
Me ensinaram valor,
Eu espalhei amor,
E no caminhar penoso
Construí o meu chão.
Hoje aqui estou.
Nesse chão que fiz,
Que não é de giz,
Caminho e caminho,
Fugindo do fardo.
Aquele que é causa,
Que é efeito.
Que é,
Que foi,
Que eu.
Que,
Eu.
.
Rabisquei dois ou três traços,
Na plaquinha de isopor;
De repente surgem portas, janelas e telhados.
Na porta tinha madeira, no telhado tinha gato,
E a tinta era amor com cheirinho de anil.
Na janela tinha cortina,
Com estampa primavera e cordinhas contenção.
- Romantismo à espreita! me dissera a velha sábia,
- Que bonito sentimento desde os tempos de outrora..
Ó Maria do meu bairro, aonde vais com esses cachos?
Senta aqui do meu ladinho, vem erguer a sua tenda...
Passa o tempo e funda a noite na salinha de maquete.
E entre tinhas e rabiscos e pretensos flocos brancos,
Brotam ruas, pingam casas, num gostoso Acalento.
Nós, meros amontoados quânticos,
Capricho de moléculas sem razão.
Consciência vã, vazia e triste.
Como todo e qualquer arranjo,
Quem nos deixou à sorte de nós mesmos?
Deuses e bactérias, ouro e demônios,
Continentes, riachos, população.
Raças, cores, covardia!
Quem concluirá sua invenção?
Prisioneiros de nós mesmos,
Deriva na existência - conexão.
O humano é sonho, atrevida pretensão.
O respeito, a tudo, é utopia, a mais
pura ilusão.
Que nos delegou o poder?
Henrique Moreira Neto
Henrique Moreira Neto
Você está deitado. Abre o olho e
observa. Você está respirando. Você está vivo e pode tocar tudo à sua volta. Você levanta e
então a luz bombardeia teus olhos. Os odores impregnam tuas narinas, a existência
se crava em tua alma na consciência de si mesmo e do mundo. Você enfim acorda.
Você precisa comer e se livrar do suor da madrugada então você levanta e se dá
conta também do seu corpo. Coloca uma roupa qualquer e anda até a porta de
saída da casa que não é sua. Daí você se pergunta: O que é meu? Roda a maçaneta
e se prepara para encarar um pedaço de asfalto, três faróis e muitos rostos
desconhecidos e sonolentos. O que são todos esses carros e todas essas pessoas
mal-humoradas? Você segue seu caminho. Pisoteia passeios sagrados com os pés
que outrora macularam seu espírito e segue. Você está vendo, sentindo o vento,
respirando, andando. Você gosta do que vê e abomina outras visões. Você coloca
os fones de ouvido e insistentemente atualiza sua página do facebook. Você se
pega na espera, se surpreende no aguardar e então volta seu olhar à frente.
Tiago Iorc balbucia seu alaúde atraindo do fundo de sua existência àquilo que
você mais temia que aparecesse. Você segue, ouvindo e vendo e andando e respirando
e então você é sugado. Entra em seu santuário e suas obrigações diárias te
trazem de volta à um mundo conhecido, porém esquecido e ignorado durante o
sono. Você insistentemente atualiza sua página do facebook. Você se pega na
espera e cansa. O relógio de hoje brinca com seu coração e perturba a calmaria
de ontem. Você vai novamente pra rua. Você ouve as buzinas e perguntar por que
estão umas chamando as outras? Você se perde. Você se encontra. Você olha em
volta e procura um sentido. Sentido para o céu azul, para a fumaça dos carros,
para seu coração. Você quer entender o que significa tudo ao mesmo tempo que
quer ficar na dúvida pela decepção que pode ser abrigar uma certeza. Você não
consegue entender e levemente se desespera. Você fica insatisfeito e se alegra
novamente. A todo momento você lembra a você mesmo quem você é e o por que de
você estar ali. Os seus eus se conversam e entram num acordo. Você insistentemente
atualiza sua página do facebook. Você se pega na espera.. Está tudo bem, calma!
Você está bem e nada está fora do lugar. Você procura um sentido, ainda assim.
Algo não está certo, você sabe disso. Mas nada está errado, então, o que há?
Você não sabe e decide não querer saber. Você fecha os olhos e segue. Você existe.
Você precisa continuar. Você volta para a casa que não é sua e se pergunta novamente:
o que é meu? Você não sabe exatamente o que fazer depois de se fechar em seu
casulo. Você se livra mais uma vez do suor e deita. Você insistentemente
atualiza sua página do facebook. Você se pega na espera.. Você fecha seus olhos
e sente. Você já não consegue ver e apenas sente. Você vai deixando de se
perguntar, você vai encontrando o sentido. Você deixa de perceber. Você deixa
de existir até que a próxima luz bombardeie novamente seus olhos e o ciclo
eterno se repita.
Uns dias de descanso e então sobra tempo pra fazer coisas
que normalmente não fazemos.. uma delas é pensar na vida, pensar em
relacionamentos, pensar em tudo que anda acontecendo.. Ontem eu era coragem e inconsequência.
Hoje eu sou metade medo e metade uma felicidade pela metade. E quando se olha
para trás e se contempla todo caminho trilhado até onde se está, os sentimentos
explodem no coração e então nem se consegue explicar o que acontece exatamente.
Certa feita eu disse a uma amiga que à medida que o tempo passa e crescemos
numa pretensa maturidade que não cessa de aumentar, ficamos mais exigentes em
relação às pessoas que querem manter contato conosco.. isso me fez pensar
também a sobre namoros, amizades, casamentos... Ficar sozinho e viver na satisfação da
liberdade de ser o que se quer sem precisar dar conta aos outros, sejam quem
for, sobre o que se pensa ou o que se faz? Essa é uma pergunta que tem
martelado minha mente.. ter alguém contigo até que ponto? Qual motivo? E o pior
é: será que esse alguém vai entender sua forma de ver a vida, já que vc se
imagina compreensivo? Ou será que sua arrogância nunca permitirá que alguém se
aproxime de você? As pessoas querem um relacionamento. Ok. Mas será que essas
mesmas pessoas já pararam pra se perguntar qual o objetivo disso tudo? Lumia na
escrivaninha, um prato de macarrão perto do frasco de perfume que você mais
gosta.. você curvado em seu notebook tentando colocar em palavras tudo que
passa pela sua cabeça, ao mesmo tempo. uma esperança, um medo, uma expectativa e
o canto dos pássaros do domingo.. como
proceder? Eu costumo perguntar aos meus
amigos. A verdade é que para a vida não existe uma receita que nos ensine a
administrar nas doses certas cada sentimento que ousa em sair de nós em direção
a tudo. Mas ainda assim, como sempre digo, prefiro conviver com as dúvidas..
elas são fofas! Certezas são traiçoeiras e te amarram ao erro. A única certeza saudável
de se ter é aquela que traz paz ao seu coração. É a certeza do sentimento das
outras pessoas por você. Isso eu tenho e ainda quero, muito mais, ter. Porque
nunca deixei ninguém duvidar dos meus sentimentos.
No coração ou no mar? Talvez na
baía do pontal, sei lá.. Já é quase bem tarde de um domingo qualquer e aqui vou
eu, mais uma vez como em tantas outras vezes, digitar o que passa pela minha
cabeça e pelo coração. Ouvindo Adriana Calcanhoto e meditando sobre o trecho: “
a solidão me dói o coração”. Pudera eu contar à olho nu todos os pixels da tela
de meu celular, tal é a frequência que olho para ela. Leio e releio toda e cada
letra que digitei tentando entender o porquê de elas terem ultrapassado a
barreira do espaço e chegado até a sua tela, carregando meu sorriso e agonia em cada letra proferida por tua língua ao pensar.. e quem diria que um clique de
mouse poderia causar essa expectativa inesperada.. então ficar olhando a pequena
tela já não adianta mais. Fico imaginando como é o seu jeito de falar e de
abraçar e tantas outras coisas ficam à vagar nesse meu “infinito particular”,
que as vezes até eu me perco de mim mesmo. E ainda que exista um encontro
marcado, todo futuro sempre é incerto. Queria poder te ver hoje. “Quem é mais
sentimental que eu?” ou “Cada um sabe a
dor e a delícia de ser o que é” e todas essas frases prontas rondam meu quarto
que sobrevive à meia luz há 2 dias. Sim, quero me encontrar com você e desejo
que esse encontro não tenha data ou hora marcada para encerrar.. quero poder em
você desaguar, me perder, me achar. Talvez assim eu chegue à conclusão de que
em você as coisas deveriam começar.
“There is no place like home”, ouvi de Dorothy em The Wizard
of Oz. “Home”, eu pensei.. e tantas coisas passei até aqui, pensando sobre
casa, lugar, longe ou perto, procurando onde pudesse meu coração habitar. Sim,
não existe lugar como nosso lar e agora eu desejo um lar onde eu possa estar em
paz. Preencher meu coração com as coisas que há tempo eu não sei exatamente o
que é.. Os dias vão passando e dá pra sentir um pouco que seja disso que chamam
de maturidade. Quando as ideias ganham solidez nas certezas que construímos em
nossos corações cheios de esperança. Esperança de um futuro bom, como fruto
daquilo que plantamos agora, e devagarinho aquela luz que se achou apagada se
acende e nos tira do frio dos tempos de outrora. Acreditar que tudo irá dar
certo é a chave para tudo isso, eu penso, assim como penso que “there is no
place like home”. Idealizar o futuro, construir o presente e ter fé no destino.
Isso é o que nos mantém vivos enquanto seres jogados aqui neste planeta sem
exatamente saber o porquê aqui se está. As coisas soam boas, o destino está nos
guiando e a fé, cega, é a que nos permitirá viver. Por que sair daqui se aqui
eu posso viver e construir aquilo tudo que sempre busquei? De que consiste de
fato isso que chamam de felicidade? Quantas coisas perdi para finalmente, pelo
menos nesse tempo, encontrar o que supostamente eu procurava? Paz de espírito,
eu queria. Apenas paz. Agora é viver e deixar viver, e o resto irá acontecer.
Olho
tua foto e minha mente viaja aos dias em que fui apaixonado por você. E esse pronome
solitário, num “bloco do eu sozinho”, escarnece da pureza de meus sentimentos
pela imundície da realidade à que somos impostos. E quando olho tua foto na
verdade olho para dentro de mim mesmo à procura do resto de razão que ficou no
fundo da taça outrora soberba disso que ousei chamar de vontade de amar. E tudo
não passou de uma vontade, na verdade, que pensou ter morrido e agora vaga nos
campos secos que habitam em mim. E o quanto é difícil administrar, eu disse. E todas
as coisas que fizemos juntos em tão pouco tempo permanecerão em mim não sei
exatamente como pois a cada minuto algo de mim se vai para dar lugar a esse
algo de você que nem eu sei exatamente o porquê ainda está aqui. Vai ver é o
jeito, vai ver é o corpo, vai ver é minha teimosia. Ou ainda quem sabe apenas
uma música que não cansa de ser repetida. Da vontade só ficou a lembrança que
se torna vontade de novo numa triste ciranda. Enquanto eu vou querendo entender
eu vou querendo você mesmo sem querer. E toda vez que olho qualquer foto, no
fundo nem sei para onde estou olhando, pois te vejo e não posso te ver pela
impossibilidade de te ter. e todo esse discurso absurdamente apaixonado que
outrora não seria proferido se não fosse essa foto. Não essa, mas essa, quer
dizer, qualquer foto que te arranque o rosto de onde eu coloquei. Sim, a culpa
é minha por ter ousado desejar te amar. E por tantas outras coisas sou culpado
que nem sei. Enquanto isso vou vivendo meu cotidiano e vez ou outra, quem sabe,
olhar uma foto.
Me perdi
de mim mesmo há muito tempo e só agora tenho percebido que o medo do vazio logo
cedo pela manhã nada mais é a falta que eu faço àquilo que eu pensei ter sido
durante anos... uma tristeza profunda que aparentemente não tem motivo e ao
mesmo tempo tem todos os motivos do mundo. A consciência que impregna minha
alma me desarma em qualquer situação. Eu juro que queria ser uma pessoa normal,
como qualquer outra, mas vejo que o destino achou legal me mostrar várias faces
das mesmas coisas. Eu queria ser normal, eu juro. Queria gostar da água do mar
ou até saber nadar. Queria ainda ser menos tímido ou qualquer coisa que facilitasse
minha vida com todas as outras pessoas do mundo. Queria
não ser tão complicado, e tantas outras coisas eu queria...
Hoje eu estou aqui, amanhã
onde estarei?
O açaí não é doce na boca e os dias
não tem sido dos melhores. Dar a vida para outras vidas. Quem faz isso? Minha
mãe fez isso por mim e pelos meus irmãos e quem valorizou ou reconheceu? Não tenho
certeza. A certeza que tenho é que amadurecer é demorado e doloroso, mas não é difícil.
Eu cresci à minha maneira e mesmo que prejudicasse a um ou a outro, foi o que
me tornou uma pessoa melhor. E depois de um longo caminho até aqui olhar para
trás é ter a sabedoria de não se deixar enganar por velhos vícios. Hoje eu
consigo reconhecer os erros e vacilos que cometi por muito tempo. A culpa
primeira não está no vizinho ou nos seus pais. Está em cada um de nós e cabe
apenas a nós mesmos reconhecermos isso, para depois termos maturidade para
lidar com as outras pessoas. Por mais que todos os gatos estejam escaldados,
ainda assim procuro deixar claro pra quem pergunta o que é minha família para
mim. Por mais que seja um exagero meu, infelizmente levei muito tempo para
reconhecer tudo isso que eu disse e mesmo tarde isso me faz melhor. Melhor em saber
que consegui a capacidade de evoluir para poder cuidar dos meus na medida do possível.
E quando vejo que meus irmãos não conseguem fazer o mesmo fico muito irritado
pois tivemos a mesma vida que eu e puderam igualmente escolher entre amadurecer
ou viver como eternas infantilidades. Sim, infantilidade pois “criança” é uma
palavra por demais linda para ser maculada com um comportamento subversivo e egoísta
que não está atento às verdades de cada momento. Sim, fico irritado, pois é
esquecido que o mundo é grande e o nosso umbigo não o preenche por completo. Ter
a sabedoria de falar e ouvir na hora certa e de saber dar paz pra quem precisa
de paz. Minha mãe precisa de paz... eu sinto muito por não ter sido um filho
exemplar e independente do que aconteça minha alma sempre carregará esse peso.
Mas quando me vi onde estou me preocupei em garantir integridade àquela que um
dia decidiu deixar de viver para ver os filhos crescerem. Meus irmãos não
entendem e eu tenho pena por isso. Pena porque não passam de mera merda no
mundo, incapazes de qualquer sentimento sólido. Apenas superficialidades
demoras. Espero que saibam o que estão fazendo com suas vidas e com a vida daqueles
que os rodeiam. Observar a vida e o mundo é fundamental para quem deseja viver
bem com os outros e enquanto isso não é feito suas vidas são vazias e secas e
sobrevivem da força já fraca daqueles que nos fizeram chegar até aqui.
Valorizemos o que temos e aonde chegamos pois foi fruto de muito suor e
energia. Ou cospes no prato que comeu e aproveita pra se matar pois uma vida inválida
é no mínimo injusta e não deve existir jamais!
Não é o momento apropriado para
fazer isso mas não tem jeito.. quando eu cheguei logo dei de cara com uma
carapaça de aço, mas por detrás haviam proteções de vidro que cismavam em
deixar transparente nossas almas que já eram descobertas pela vida. Não me
importei, sinceramente, e até me acostumei. Passeava naturalmente desde então
me pondo voluntariamente ao frenesi do que podia estar sendo sem de fato ser
porque nunca deixou de ter sido. E o ser observado com ninguém observando se
tornou natural nos poucos dias que ali estive... de dentro era apenas eu e eu
mesmo refletido nesses espelhos mal sucedidos que me assustavam todas as manhãs
quando eu era surpreendido comigo mesmo me olhando e me perguntando: ta olhando
o que? Duro. Já a meia luz na área de serviço espelhou a penumbra que é meu
coração e me deixou desnorteado e sem ação. Uma sombra sutil que me jogou na
cara um passado que teima em querer ser presente, esquecendo das pretensões do
incerto futuro que cultivo em meu quintal. E aquele cheiro de casa nova era
apenas uma ilusão de minhas narinas, traidoras! A cada segundo o mundo outrora
rosa foi tomando tons de cinza pelas botas sujas que macularam a inocência
pretendida, nunca real ou alcançada. E
mais uma vez eu aqui, pensativo porque triste e triste porque pensativo,
enfim.. Quando mais eu penso estar me encontrando mais eu me perco no emaranhado
que é minha alma, esse asfalto molhado de chuva e castigado por tudo que aqui
anda. A noite não foi boa e na verdade nem dormi. Não dormi por medo de não
conseguir acordar e a vontade de descontrolar é intensa. Toda uma realidade
mudada por uma necessidade temporária e um desejo demorado e incerto. Até que
ponto vale a pena? Sim, minha alma não é pequena mas já começo a duvidar desse
ditado onde tudo vale. Será? Estou pra fazer a coisa que mais me tira de mim, e
conhecer outros cheiros e outra área de serviço. Espero não ver novamente
portas de vidro para que não me joguem na cara todas as manhãs quem eu queria
ser e até então não consegui. O bom é que estou chegando lá..
E todas essas coisas que não digo..
E toda essa vida pela frente, onde estão meus amigos?
Estão aqui eu sei, mas onde está o que eu pensei ser?
Eu quero viajar..
Sair por aí pra ter certeza que não o único..
Que não sou o único a sonhar,
O único a amar...
O único a desejar sair por aí ...
Sem rumo, sem destino,
E perceber enfim que em todo lugar há vida...
A vida que eu sonhei ou o sonho que vivi nunca tendo vivido..
Quero ir pra China, pro México, pro Japão, pro Chile!
Quero com certeza pegar aquele avião e fugir de mim.
Talvez assim eu diga as coisas que não digo.
... no meio de um mal sucedido planejamento urbano me perco no passado, para
variar. Dessa vez foi diferente, ou a diferença também seja inventada na minha
mente para cobrir buracos no asfalto da minha vida. Abri o notebook e fiquei
vagando na internet e vi algumas fotos e senti novamente alguns abraços e meus
dedos ... Ah esses dedos nervosos por
escrever bobagens precipitadas das quais eu sei que posso me arrepender, se
perderam no teclado e balbuciaram palavras não pensadas.
E
de toda essa utopia de um mundo mais humano, me pego desnudo em tua frente,
tentado uma aproximação comigo mesmo, através de você, ou vai ver com a parte
de mim que ficou contigo naquilo de você que ficou comigo. Não sei explicar, sinceramente.
Apenas sinto e por demais e muito tempo vim trancando meus leões. Deixarei que
se vão e então não me desprotejo para me proteger.
Eu
fico aqui matutando e tentando insistentemente entender o porquê de tantas
coisas mexerem comigo. E dentre tantas outros detalhes, e também entre frases
nervosas e frustradas duma tentativa docente, me perco em meus eus cada, um em
seu mundo.
E
ainda que em mim, neste planeta Terra, mora você que se demora e não se cansa
de estar, num programa de TV ou numa mesa chamada de jantar, onde tudo se tem,
menos a comida que concretiza aquilo que nos fez sentar. E sentar para que? Para
olhar sua cara e ver um misto de coisas que nem sei, ainda que equivocado e
inventado de minha mente insana?
E
que toda sobremesa seja gelatina com creme de leite, e que todo ovo frito seja
feito à madrugada com manteiga de carinho numa porta à beira do caos suburbano
dos mundos de outrora, ora criado para nós, ora feitos para nos destruir. E eu
não entendo o que em você me fez ficar assim, o quanto de orgulho meu me faz
ficar assim, assim como? Assim.. Simplesmente.
Ah,
se eu pudesse escrever em textos um coração “dilacerado” pelas coisas que o
tempo impõe à vida, e se eu pudesse traduzir sentidos como fazem o especiais. E
se todos esses “Ahs” que solto se fizessem revolta, e de toda revolta eu
pudesse me virar. De lado, do avesso, do outro lado tentando sacudir o passado
em busca de um ideal frustrado, que no minuto certo se faria verdade contente.
Não
são coisas difíceis mas são. Ao ponto que saem de mim sem comunicar e me rasgam
ao mesmo tempo que me levam pra bem longe... e de tão longe fico perto, de onde
eu nem queria, talvez. Perto de você...
Perto
dos dias em que ouvíamos a mesma música, e das coisas que você me ensinou, e
das coisas que talvez eu tenha ensinado a você e então meus dedos se seguram
para que eu não me denuncie. Se controlar para não escrever como foi e porque meu
coração se aperta as vezes, imagine você a que ponto cheguei. E sempre me
negando, me segurando, me anulando, por causa sempre de algo ou alguém ou ainda
alguma coisa. E que o digam as formigas no tapete e tantos outros detalhes que
me machucam pela impossibilidade de voltar atrás. As vezes porque não vale a
pena, ou por não querer admitir que você já tenha procurado esquecer de tudo
isso. E então você se pergunta: isso o que? Eu eu, como sempre, digo: nada.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
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domingo, vinte e um de outubro de dois mil e doze
Uma
rádio internacional me trouxe aqui pro word e por mais poético que eu tente
ser, não passo duma narração mal feita, descrição equivocada. A música?
Somebody de Jackson Browne na BOB FM, Santa Rosa, Califórnia. Sim, que bom que
inventaram Rádio Online. Tanta coisa e ao mesmo tempo nada para fazer aqui no
notebook. Meia noite de domingo e eu numa mesa perto da estrada na frente daqui
onde moramos. Sim, me mudei várias vezes e isso é cansativo. As paisagens foram
mudando e as sensações também, não sei explicar, só estava afim de escrever
minhas bobagens.
Hoje
percebi o quão vazio estou. Precisou eu estragar o aniversário de alguém pra eu
perceber isso e não sei o que tem me enchido ultimamente, o que tem me completado,
me nutrindo, sei lá. Vazio eu tô e de mim não sai mais nada que preste. Ou
talvez eu não esteja procurando as coisas certas para me preencher.. e porque
também precisaria eu de algo que me preenchesse? E de quanto eu precisaria para
me sentir confortavelmente cheio? E se eu transbordasse, que iria aparar as
gotas de mim mesmo antes que se vissem jogadas ao chão? Sim, porque se algo me
entra se torna mais do mesmo eu, acredito. E se eu secasse ao vento? Quem me
iria chover dentro de mim novamente? Mas como eu disse, são apenas minhas
bobagens.
Hoje
eu me senti vazio. Vazio do tudo que pensei estar me completando. Veja este
texto por exemplo. Não sei até que ponto deixei essa coisa de universidade me
esvaziar. Acreditem, estou incomodado por o texto não estar justificado. O que
eu fiz comigo? Afinal essas letras em arial com espaçamento 1,5 vão me tornar
algo especial? Muitas perguntas, nenhuma resposta e nenhuma perspectiva de
resposta. Estou vazio do tudo que queria simplesmente ser... porque existir já
se faz aos montes por ai, o mundo não precisa de apenas mais uma existência. Vou
aqui pela madrugada, ouvindo a BOB FM, onde tocam de tudo e ao vivo, e onde
minha mente consegue viajar até o outro hemisfério fazendo-me sentir
estranhamente bem antes de lembrar que amanha têm aula.
Amanhece no vilarejo e já temos que alimentas as galinhas.
Peguei um pouco de leite enquanto minha mãe apanhava lenha para o fogo. Talvez
comamos um bom leitão, não sei. Os dias tem sido calmos e um pouco de cerveja
quente sempre alegra as noites frias de lua nova. É inverno agora e os campos
descansam deitados e serenos. Temos alguns grãos no porão, mas não temos
certeza se serão suficientes para todo o inverno. Não se tem muito que fazer
nessa época e então sentamos à beira da lareira e tecemos longas horas a fio as
roupas de nossos esposos e falamos sobre quando a primavera chegar e cuidamos dos
animais que sempre precisam de carinho. Não vejo a hora de celebrar o próximo
equinócio! O inverno tem um lado bom, mas nossas almas ficam desprotegidas
quando a Deusa Mãe fica longe de nós. Ela foi ao submundo trazer de volta o
sol... Temos muito medo de ficar sem comida, mas sempre conseguimos atravessar
a fase escura do ano e os primos das terras mais ao leste também sempre mandam
alguma ajuda. Os teares precisam de reparos e a lenha tem que ser buscada mais
uma vez... os guardas reais tem rondado nossas terras. Disso também temos medo,
pois nunca se sabe o que eles querem ou a quem procuram. Fuça o fundo de nossa
alma alertas ao mínimo sinal de paganismo. No fundo eles têm medo que gente
como a gente descubra novas formas de ter poder que não fazendo parte da corte.
Palavras copiadas de um blog e lidas ao som de um
vídeo antigo numa manhã pálida nessas bandas de Ilhéus que a televisão teima em
fantasiar. Aqui não estamos às maravilhas e os corações andam dilacerados, e
nem sempre há um sol que possa nos iluminar o caminho. Sim, uma tristeza enorme
me tomou hoje logo pela manha, num assalto à minh ‘alma e eu pensei em você... Você
que pensa não ter valido a loucura – e eu não fui o suficiente louco para te
valer. Meu coração uma bagunça em meio às obrigações nossas de todos os dias, e
eu me perco imaginando um passado que quis existir, póstumo. Não sou bom com as
palavras, mas tento me expor em textos assim como o fazes. Talvez lido, alguém me entenda. E como é
engraçada a tristeza.. ela senta ao seu lado e te chama para dançar sua loucura
sem ao menos saber se você queria tal bailar. E então aqui estou eu, caminhando
em direção à um futuro incerto e distante e confiando que tudo terá um sentido
e que depois irei rir de todo esse sofrimento. Hoje me limito a uma mesa com um telefone. Meu
notebook e todas as tralhas tecnológicas daqui que me fazem companhia. A vida
ficou sem graça e hoje eu queria me rasgar. Sim, aquela velha sensação de
querer se derramar e jogar na sua cara minha angústia assim como você o faria. Angústia
da loucura de querer exclusividade e de todo complexo de inferioridade que me
faz companhia, também. E em quantas mentiras eu mergulhei, e quantas esperanças
eu afoguei, e então me pergunto o que sou e por que ou quem eu existo. E um
futuro distante não está sendo mais o bastante para me manter vivo e cada dia é
um pouco do agonizar antes da morte, e o quanto eu queria ver outras
paisagens... ou admirado por outros olhares. Ah, minha vida.. um verdadeiro
segredo de liquidificador nesse mundo secreto onde me trancafiei e ninguém jamais
entrou.. nesse “jamais” custoso de dizer, difícil de ouvir, impossível de
compreender onde me desfaço e mesmo nos pedaços há centenas de segredos jamais
ousados em aparecer. Talvez se eu
continuar comece a falar asneiras, ou quem sabe me transforme em uma.. obrigado
a você por me ler ou me ouvir, por tentar, nem que seja por um minuto, me
entender. As coisas não estão boas por cá. Estão as coisas boas por aí? Enfim...
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