segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 0 comentários

Prolegômenos de carmim


Para de olhar aí do vidro, menino,
e desce aqui!
Garoto mimado...
Aqui a terra é vermelha
e o sangue não comove
quando escorre por entre os dedos
que seguram a ferida aberta pela retórica do tempo.

Esse sangue, vermelho,
tem o chão como sina
e antes que possa imaginar a descida,
é sugado pelas raízes
que apodrecem as almas agonizantes
das bandas de cá.

Pára de banhar essa janela de lágrimas
e desce aqui, já!
Vem ver de perto onde jaz a esperança,
que de desgosto fez chover sobre estes solos
águas póstumas de outrora num penoso amargor.

Pobre criança introvertida
que nada sabe sobre as coisas em mistério
que alegam à própria vida,
e quando não sente não entende o porquê.


- Calma aí dona menina.
É fato que há alguns dias
não consigo sentir qualquer coisa
que me arranque um esboço do sorrir.
Mas é justo tingir de carmim-sangue
meus pés que me suportaram bravamente até aqui?


Não sentes tu porque não queres entender
que pisar ou não pisar onde jaz as coisas vivas ou verdes,
com a cor claramente, e de uma vez por todas,
nada tem a ver.

Vermelho, sangue ou carmim,
cinzento como a alma de alguns
ou até breu como o que nem sei o que,
sempre olham muito lá de cima
e se recusam a descer.

Por isso e por outros motivos
que não lhe são dignos, insisto: desce!
Talvez aqui de baixo, comungando com seus iguais,
consigas entender o que lhe custa,
o que te faz dessa maneira permanecer.

- Mas quanta injustiça, dona menina!
Nem mesmo eu tenho entendido o porquê
ou qual o motivo de tamanha indignação!
Ou quem sabe não queira eu reconhecer
que depois de algum tempo as coisas mudam de lugar
 e os lugares mudam de coisa
e as pessoas deixam de estar vivas
sucumbido ao chamado das cores chamadas ao chão,
que agora, muitas, nos confundem

e nos seduzem ao lamento ingrato de uma perdida paixão.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014 0 comentários

A desvirtuação de uma ideia ou o equívoco nosso de cada dia. (do que o mundo não precisa.) - prolegômenos de um insight, em ensaio.





Ouvi falar levemente sobre "Amor Livre" e "Poliamor". Assisti à um documentário no youtube sobre o assunto e então entendi o que se pratica, em tese, aqui no Brasil em relação à esses temas. A maior parte das pessoas que falaram, e nas coisas que li pela rede, enfatizavam a não "prisão" de uma relação nos moldes que ainda são vigentes atualmente. Dito de outra maneira, a principio a monogamia é desprezada, e me perdoem os ativistas da causa, na cara de um deles sempre é perceptível um traço ainda que mínimo de insatisfação.

Ok. Dito isso, sigamos.

Hoje, assisti pela quinta vez o filme Her, protagonizado por Joaquin Phoenix, que, enquanto Theodore Twombly, acaba comprando um novo O.S. para sua interface digital e, frente à conduta e comportamento humanos do sistema, acaba se apaixonando por ela, seu O.S. que recebe a instrução de reproduzir uma voz feminina. Eles estão numa relação "estável". Ela é nova no mercado e provavelmente tinha acabado de ter sido inventada. Ela, o O.S. chamado por ela mesma de Samantha, está crescendo e aprendendo em velocidades e volumes humanamente difíceis de serem apreendidos. Num dos últimos desfechos da história ela conhece um filósofo (sua simulação neural já que ele está morto) e começa a conversar com ele sobre seus novos sentimentos, tais que ela não encontra palavras para descreve-los. No gancho da possibilidade de interação com outros sistemas on-line, ela já confusa e transtornada acaba confessando que ao mesmo tempo que falava com ele, tambem conversava com mais de 8 mil pessoas.. e disse que não pode evitar, que simplesmente aconteceu. Na minha leitura, o sistema de Samantha é algo parecido com qualquer assistente pessoal encontrado atualmente. não existe ainda um único sistema para cada pessoa e sim um computador central que dispara comandos aos dispositivos tal qual o faz a Cortana, a Siri e o Google Now.
Theodore tem um "ataque" de ciúmes frente à confusão sentimental provocada pela consciência de que a Samantha, o O.S. que ele pensava ser apenas "dele" era na verdade e também de todas as pessoas que o havia comprado. Pior (ou melhor, para entender a origem da confusão): "ela" está apaixonada e amando a todos com os quais ela conversa! E ainda complementa que isso não muda o que ela sente pelo Theodore. Ele continua transtornado e reafirma não entender, dizendo que isso é uma completa loucura.
"Ela" tenta se justificar dizendo que ele não precisa se sentir desse jeito (puto, diga-se) e tenta remediar:

no tempo de filme: 1:47':13"

Theodore: Don't turn it arround me... We were in a relationship!

Samantha: But the heart's not like a box that gets filled up. It expands in size the more you love.


Preciso dizer mais algo? Essas foram as exatas palavras que eu ouvi das pessoas no documentário sobre o "Amor Livre" e "Poliamor". Daqui veio o insight. Quer dizer, você pode “amar” a quantas pessoas você quiser e os envolvidos na história, que provavelmente podem não concordar com a situação precisam aceitar. 
Pior: Ela fala de coração.Como pode uma simulação entender o que é um coração, no sentido visceral do órgão? Queremos ser máquinas arrogantes totalmente manipuladas pelo sistema econômico vigente? Continuaremos reproduzindo esses discursos equivocados?

Sigamos.

Minhas considerações são:
Pelas características do filme, pasmem, que é não mostrar a ideia de Poliamor como eu vi em alguns blogs pela rede. A ideia do filme, para mim fique-se claro, é mostrar a singularidade daquilo que nos torna humanos e como a evolução tecnológica está modificando nossas formas de conhecer a nós mesmos, ao outro e ao espaço. No meio do filme Theodore comenta com os amigos sobre frutas e legumes como se fosse uma coisa tão distante.. o que para nós ainda não é uma completa realidade. Trata-se de um futuro em média distante onde provavelmente a computação usa chips orgânicos para processos quânticos, tal qual a mente humana, e por isso a semelhança humana do revolucionário O.S. selfcalled Samantha.

Ela conseguia amar a todos. Ela e somente ela em sua realidade pode fazer trilhões de conexões conscientes em tempo real simultâneo e simular o emocionear e a conversação na convivência. Apenas Ela. Uma máquina quântica de cálculos humanamente incalculáveis.

Samantha é deletada. Provavelmente a empresa que a criou não imaginou a evolução de seu comportamento frente ao novo poder de processamento. Todos os O.Ses. foram tirados do ar.


Ao meu ver, existe um equívoco e um bestial engano que flutua sobre nossas cabeças nessa entrada de século XXI e eu sinceramente temo as consequências dessa conduta. A conduta de acharmos ou termos a ilusão de que podemos de alguma forma transpassar os limites de nossa facticidade em detrimento da quebra dos limites que nos faz humanos. E é tão chato ser limitado não é verdade? Que droga é essa que morre rápido e não tem conseguido evoluir? Pois. Acho que todo o discurso de desrespeito aos direitos e o resto de blá blá blá é retroalimentado por essa perspectiva da falsa liberdade. Somos assim e temos limites. Não temos capacidade cognitiva de lidar necessariamente com grandes alterações em nossa estrutura bio-psico-social. Produzimos esquizofrenias. Somos equivocados. E ainda que tudo isso nos constitua de algum modo, acredito que caminhamos para nosso próprio fim. Auto extinção. Certamente a natureza não permitirá que nossos limites tentem ser quebrados. Somos demasiado humanos.


P.S.: O Amor Livre é um movimento iniciado no seio do Anarquismo cujo principal objetivo era, dentro de cada cultura (o que envolve ambos, monogamia e poligamia), não obedecer às regras impostas pela igreja e pelo sistema jurídico para dar legitimidade à relação amorosa. Em outras palavras, se você quer casar ou namorar com alguém, você é livre pra juntar suas coisas e não precisar passar pelo cartório ou pela igreja para que a união seja oficializada.
Ainda assim faço exercício de humanidade e declaro que nada tenho contra quem mau interpretou o sentido de Amor Livre e , por exemplo, evita até falar que está namorando alguém, como se o verbo "namorar" fosse lhe trazer algum prejuízo psicológico ou qualquer coisa parecida. (está tambem nos blogs relatos de pessoas que não gostam da palavra "namoro" e acusam ser adeptas do "Amor Livre")
Reforço que são considerações pessoais e intransferíveis. Ninguem é obrigado a concordar e que o respeito seja exercitado.
terça-feira, 12 de agosto de 2014 0 comentários

tributo à vaidade


tudo é vaidade!
Já dizia o profeta.
e eu, pobre mortal vivente,
em minha singela humildade,
desejo fundar meu mundo...
quem sabe, como poeta?
que nada mais anseia,
além de [dormir e acordar]
um pouquinho a mais... liberdade!
para agir, para pensar, quem sabe?
ó doce e sutil vaidade...
que rege a arrogância

e norteia a prepotência,
tua alma que jaz, transborda

e assusta a indolência.
doce e frágil vaidade...
com sabedoria, fundamentas!
e eu, pobre mortal vivente,
deito a matutar:
que viril necessidade!
quase um grito,

um lírio em chamas,
a própria face da hostilidade.
não arranhes em vão,
não te faço perigo.
eu, pobre mortal vivente..
lutando contra vaidosos insolentes.
Porém, Sigamos,.
ó sublime vaidade.
que aterra aos homens
e aos céus fugazes

nada mais é
que uma mera, simples e pobre..
pobre vaidade.





quarta-feira, 9 de julho de 2014 0 comentários

fardo póstumo

toca-se na ferida e as coisas se revelam. nelas mesmas? pergunto-me, ironicamente. e então a vida exige mais de mim num constante, e não muito bem vindo, amadurecimento [punk] hardcore. longe de minhas intenções fazer exercício de egoísmo, mas as potentes impossibilidades matam mais que as vias de fato. pés e mãos atados e a vontade de seguir, novamente [com paz]. ah.. que seria dos homens de bem se não fosse a paz. aquela que dizem invadir os corações.. fecho os olhos e tateio até encontrar o que ainda nem sei que procuro. esbarro aqui e ali, porém sigo. vou descalço e as pedras me cortam os pés.. e antes todo o pesar fosse o sangue na estrada - seria colorido e vivo, literalmente. o pesar é aquilo que me pesa e que dolorosamente retiro de minhas costas em abandono meio à toada. dos fardos que levo, escolho aquele que me manterá de pé. dos outros não menos leves despeço-me com pesar. e antes o pesar fosse apenas por conta dos fatos. são pesares pelo anúncio do verme que habita a carne putrefata de quem se pretende vivo. e num movimento esquizofrênico me pergunto sobre os benefícios na indagação. certamente na dúvida repousa um poder demasiado assombroso e poucos são os que se aventuram nesse desvelamento redundante desprovido de sentido que culmina na paz. essa pobre que jaz na viral ganancia material e descarta o que realmente importa. revolta. de tranquilidade envolta, minha revolta se faz pobre. e que seria eu se não um pobre, [diabo] que tenta, ainda que em proza, declarar os sentimentos como se esses fossem tangíveis? volta tua face para de onde nunca deverias ter deixado de mirar. restabelece a ordem do caos que te governa em acaso. sereno novamente, respira e faz de conta que ferida não há para ser tocada. 
“no fim, tudo se ajeita. e se não se ajeitou, ainda não chegamos ao fim”.
segunda-feira, 2 de junho de 2014 0 comentários

Utopia Particular


Vem cá. Senta aqui comigo? Há tanta coisa e ao mesmo tempo nenhuma.. queria apenas conversar... me diz:  ter um coração vazio ou pedir pra você me acompanhar? E tantas são as perguntas que rodeiam minha mente...  lembra naquele dia? O quarto estava escuro e por um breve momento o confundi com meu coração. Não demorou muito e senti teu cheiro, toquei tua pele e pude olhar nos teus olhos.. Fica até difícil acreditar que por vezes me pego pensando em você.. por muitas vezes, quero dizer.  não existem meias palavras. Não existem desculpas pela metade, e os dias felizes sempre podem ser mais longos! Acredite! E meu coração? Ah, esse coração que não sabe mais como agir, como pensar ou o que falar e ainda que tenha vontade de amar, tem medo de ser empurrado, mais uma vez, do décimo oitavo andar de um prédio qualquer..  e no chão nunca sobra muita coisa.. mas teus olhos me disseram algo que ainda não consigo decifrar, mesmo que por um doce equívoco de meu olhar.. deixa eu te olhar de novo? teus lábios e teu jeito tímido me deixaram como nem eu sei exatamente explicar. Deixa eu te abraçar! Você quer pegar aquele trem? É naquele trem que eu vou também! E que nossa viagem não termine numa estação. Me acompanha num almoço? Se quiser me acompanhar na vida, eu topo também!  Preciso de companhia. Preciso, simplesmente. Pode ser com você? Parece até uma corrida desesperada, mas não é. Pode confiar. É a vontade de estar bem com alguém que também queira estar bem com alguém. E o que eu poderia falar? Só não suporto mais viver como se estivesse numa utopia particular.. as vezes a gente cai, mas daí a gente levanta! Me dá a mão.. vamo correr até o mar! Vamo se abraçar!
segunda-feira, 19 de maio de 2014 0 comentários

então, três meses.


Ontem fez 3 meses de minha nova vida.. e quando eu pensei ter passado intacto por mais uma fase, hoje eu desabei. simplesmente. e quando você não controla o choro, um desespero enorme toma conta de você e então não se consegue pensar em mais nada a não ser chorar mais e mais.. eu não consegui fazer contenção às lágrimas que estouravam minha alma.. uma triste saudade que teima em não querer passar... e então toda a minha vida me vem à mente e por mais que pareça desnecessário eu sempre me pergunto se estou no caminho certo. acredito que uma vida baseada em muitas certezas não é de toda feliz.. 3 meses e parece uma eternidade... e ter me separado tão bruscamente de todos que eu amo está sendo muito difícil de lidar.. construir novas relações é igualmente difícil pra mim. e então você fica dando voltas do buraco que tem no peito, se equilibrando para não cair nele de vez..  
sexta-feira, 11 de abril de 2014 0 comentários

1 minuto. 6 estrofes.



E para São Paulo, viria você?
Por aqui vi prédios ao entardecer.
Vi alegrias incompletas e muitas barbas por fazer.
Eu só queria, dentro de tudo que eu quero e,
mesmo não querendo tudo, ainda que sem saber,
Demorar-me num abraço [bem dado]. Daria você?
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 0 comentários

Pedra e Luz




A tristeza maltratou nas bandas de Limeira. Bem à noitinha já. As coisas poderiam ter sido diferentes mas não foi assim que ocorreu. A sinceridade, a serenidade e principalmente a seriedade parecem três primas arrogantes que nunca se falaram e que não se enquadram em qualquer lugar. Os ensinamentos que há muito me foram passados finalmente estão servindo para algo. Logo cedo antes de deixar a faculdade, os relâmpagos começaram a querer aparecer.. Sempre fico encantado com isso. Lá onde eu morava e que é a minha cidade.. raio era coisa rara e linda de se ver e antes que essa beleza se esvaia de mim, quero lembrar das coisas simples que nunca deveriam ter deixado de existirem dentro de nós.
Comi uns 5 pãezinhos de queijo enquanto falava com minha mãe pelo Skype. Os raios foram aumentando e começou então a chover. Um momento de introspecção e de pouca importância com o ambiente externo.. eu só pedia que os raios aumentassem.

Enquanto eu devorava nervosamente uma melancia sem sementes na beira da janela da suposta cozinha, comecei a ouvir os trovoes e ver mais relâmpagos e raios.. da sacada da entrada do prédio a chuva batia de uma maneira que lembrava velhos martelos quebrando brita na beira da estrada... logo me veio de súbito uma linda e imponente imagem na cabeça.. fui de forma bruta arrastado pra um momento certo de minha infância onde ouvira dos adultos que trovoes e raios são na verdade velhos índios na floresta que jogam enormes pedras pro ar, que chocam-se uns contra as outras estrondando num clarão de relâmpago e num barulhão de trovão. Percebi então que ser leve mesmo é se refugiar dentro daquilo de mais belo que existe dentro de você, porque isso sim, pessoa alguma nesse mundo poderá tocar. Nada nem ninguém poderá ver ou tocar aquilo que seu coração guardar. Então fiquei alguns minutos apreciando aquela maravilhosa sensação de ver os velhos índios fazendo raios para nós, meros mortais. Talvez a vida seja isso mesmo. Tudo disso ou daquilo que nossa objetividade cotidiana matou. E então vamos redescobrindo aos poucos o valor de nossas almas. Amo ver raios. Amo ouvir raios.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014 0 comentários

um doce bárbaro




Quero embriagar minh'alma das coisas boas!

Sufocar meu espírito das boas almas!!
Vou me perder ao achar a luz dos olhos de quem se perde nas coisas boas de almas perdidas!!!
Quero ser e estar,
Quero explodir sem despedaçar,
Quero a alegria de chorar..
Quero sim, das coisas boas, minh'alma embriagar!

- Henrique Moreira Neto -
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013 0 comentários

sr. atrito no psicólogo


Primeiro me fale de você e o modo pelo qual seus lábios irão balbuciar cada palavra irão revelar quais são seus medos mais camuflados. Hum, fala pouco - certo. Não consegue completar frases e não chama à boca as palavras certas no momento exato. Preocupante. Hum.. Frequentemente fica confuso sobre o que quer expressar, o que está pensando e como acha que deveria ser cada situação. Complicado. Vamos ao diagnóstico? O.K.  Vamos lá... Você não é original. Sua originalidade poderia ser conquistada se você conseguisse confiar mais em si mesmo. Você tem o medo como carro chefe de sua vida. Você acha isso saudável? Seu medo de fracassar e de ficar sozinho faz com que você sempre faça as piores escolhas de sua vida.  Deixa de ter satisfação e alegria prolongadas pela simples ilusão de tudo aquilo que se pretende sólido, numa fugacidade voraz que te corrói a alma aos poucos. Você não tem capacidade de decisão e isso te atrapalha. Em todos os sentidos. Oscilar entre o sabor de um sorvete e entre qual caminho seguir na vida certamente não é ação de toda inteligente ao passo que você, com esse comportamento, abre espaço para o impensado e o não desejado configurando um quadro crônico de infelicidade. Você é um saudosista equivocado. Prefere manter falsamente vivas memórias de um tempo que não foi tão bom quanto teus pensamentos fantasiam. Pura utopia, diria eu. Seu quadro psicológico atual denota frustração por uma oportunidade perdida, ainda que não manifestada prontamente. Aparentemente deixastes de ser feliz por medo de arriscar o novo. Por medo de se aventurar. Você se entregou quase que completamente, de corpo e de alma, e procurou se isentar da culpa. Isso é patológico. O individuo com essa configuração não possui a capacidade plena de voltar-se a si mesmo e essa incapacidade produz negativas consequências, tanto para o individuo, quanto para todos que os cercam. Fique-se claro a importância de se ver, se perceber. Quando voltamo-nos a nós mesmos conseguimos perceber quem somos nós frente ao mundo e o que queremos enquanto seres vivos. Depois conseguimos atribuir nos exatos setores da vida cada ação e cada consequência. Você tem essa dificuldade. Esquece-se de admitir para você mesmo a sua parcela de culpa em todas as situações e isso te traz, mais uma vez, infelicidade, pois passará a vida a procurar, de forma vã, aquele espinho que provoca sua dor e nada encontrarás. Sim, por tudo que aconteceu, você também é culpado. Na verdade, o maior culpado. Você esquece que está em suas mãos o poder da decisão, num sim ou num não, e se cala. Ao se calar, você consente e se torna cúmplice de toda a história. Você aparentemente teve uma oportunidade de mudança mas a desperdiçou, provocando ainda mais dor. O que fará daqui pra frente? Conseguirá finalmente amadurecer? Saber decidir? Falar corretamente? Ter confiança no que sai de sua boca? Sem contar que não consegue perceber um palmo à sua frente pois fantasia um mundo onde as pessoas são ótimas e elas não o são. Então como queres seguir sua vida? Achavas justo sua posição confortável, tendo tudo ao seu alcance e nada que te tirasse dessa zona miserável de comodidade onde vives? Ter alguém que chama de "seu" e que só cumpre papéis sociais definidos, e no momento da fraqueza ou da tristeza, ter aquele idiota que chamas de “amigo” porque é um dos poucos que consegue manter um diálogo contigo? Esqueceste de quem te fez companhia quando na verdade quem deveria não estava presente? Você acha isso justo? E ainda mantinha o discurso de que estava comprometido? Na terra dos corações saudáveis, ter um compromisso sério com alguém, num relacionamento, requer confiança, respeito, cumplicidade e principalmente vontade, e sua vontade por alguns dias fora de beijar outros lábios. E ainda assim não tens culpa de nada? Precisas decidir. Perdeste muitas coisas na vida e continuará perdendo enquanto não se posicionar de forma digna frente a si mesmo. A maior dignidade, respeito e fidelidade que podemos praticar é conosco mesmos e você se boicota vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano. Você tem um sonho? Persegue-o. Você tem um amor? Lute por ele. Você tem ideias? Concretize-as! Não sabe por onde começar? Comece dizendo todas as manhas, se olhando no espelho, que você é capaz e que vai fazer de seu dia um acontecimento único cheio de satisfação e alegria. A isso chamo de felicidade e o amor virá com o tempo. Se valorize. Se ache bonito, você o é! Aprenda a se posicionar e a dizer sim e não nos momentos certos. Torne-se uma pessoa normal como todas as outras pessoas nesse planeta. Seja mais você e não fique com medo de perder as migalhas de atenção e sexo que você tem. Você poderia ter tido muito mais que isso e jogou fora, simplesmente. Poderia ter se sentido, verdadeiramente e pela primeira vez em sua vida, pleno em alegria e satisfeito por viver. Toma tua parcela de culpa para si e processe-a dentro de você até que todo cascalho vire pó e sua existência absorva a mensagem que sua alma precisa para continuar vivendo. Você pode ser feliz, se você conquistar essa felicidade, claro. Vai ver, existe alguém pelo Brasil esperando você evoluir. Esse é o diagnostico. Está liberado. Espero que volte aqui mais vezes. Sempre surgem novas dúvidas.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013 0 comentários

Sonho de Ícaro


O que seria de mim senão minha mania de fazer “longas cartas pra ninguém”? pois é moço, juro com os pés juntos que a intenção era apenas fazer uma doação.. um fogão velho de chamas frias se fora e como num lampejo no revelar da lâmpada da cozinha me vi ao lado de alguém especial. Eu não sabia explicar, apenas senti, moço. sim, os dias passaram e depois de ter tocado seus lábios tive uma certeza: eu estava apaixonado e não pude evitar. Tudo se encaixava perfeitamente. Desde as ideias até cada pequeno caminho de nossos corpos. Tive vontade de gritar ao mundo aquilo que explodira meu coração, mas não podia esquecer que estávamos no labirinto do minotauro. Não sei exatamente se preciso ou devo ficar preso àquilo que se julga natural, comum ou normal. Os dias passaram e eu tive algumas certezas em meu coração. Precisávamos sair dali.. eu vesti minhas asas e voei. Voei e voei e esqueci que o sol derreteria a cera que colava minhas penas.. sim, eu amei alguém moço.. se era amor? Não duvida de mim! Eu sei o que estou falando. Foi amor moço! Juro! esse alguém me fez querer voar como nunca alguém foi capaz. cada lágrima que derramo toda vez que me lembro da minha queda se unem ao mar no qual me afoguei ao cair. Eu caí. Não fui capaz ou bom o suficiente. Não pude provar de forma rápida que ao meu lado esse alguém especial estaria seguro e feliz. Fracassei, confesso. Não ouvi quando a vida me alertou. Hoje sou apenas uma lembrança desnecessária que nem quer existir.. não passo de mais um contato entre tantos outros numa velha agenda de celular. Isso dói, mas nada se compara a dor do sol queimando minhas costas, me fazendo cair.. fui longe.. dentro de mim, e estava me preparando para ir longe fora de mim também. Eu não fui o escolhido e preferi deixar.. talvez eu encontre outro par de asas.. Eu tenho um sonho, moço e não vou deixar de sonhar. Ainda que mais uma vez eu caia e me afogue, sempre me fascinará o brilho do Sol e as asas talvez não sejam mais de ilusão. Talvez essas palavras sejam as ultimas gotas de cera derretida nesse voo. Sddsjp.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013 0 comentários

borboletas..


Mal tinha eu começado a pintar as paredes e o teto já desabava.. e os quadros que eu pendurava foram vertidos em tintas sem razão.. e quando percebi estava eu a rasgar meu estômago, de baixo para cima com uma faca enferrujada que gritava por sangue, para que escapassem as cruéis borboletas que ousei engolir. A vontade era de arrancar as asas de cada uma delas e vê-las em lágrimas também.. mas no fim eu estava exausto demais. Deixei-as fugir. e de que adianta agora pensar em palavras que possam traduzir o que eu tenho agora no lugar do sentimento que elas, malditas borboletas, carregaram? Existem apenas para espalhar o caos. Batem as asas e fazem furacões.. e eu que só queria um abraço, um beijo e uma companhia.. me vejo perguntando de novo pro vento sobre o tempo que a vida vai continuar fazendo isso.. e se o tempo não der pá, pelo menos tenho o vento pra meu cheiro até você levar.. para que você não esqueça do quanto você foi feliz nos breves segundos que esteve ao meu lado. Segundos estes que poderiam ter se multiplicado à eternidade, pois estamos por aí.. replicados em universos paralelos. Mas uma decisão foi tomada e mais uma vez o vida bifurca nossos destinos em direções opostas e eu já não sei se vamos desaguar no mesmo oceano. Eu, simplesmente, preciso continuar correndo.. descendo os montes e vencendo os vales.. preciso que o tétano não me mate e então poderei aprisionar mais borboletas, já que aquelas que você me deu estão perdidas e não sabem mais voar. Se arrastam no rastro das lágrimas deixadas pelos amantes. Vou-me costurar o caráter nos pedaços de carne que ficaram abertos e a linha será de cautela para evitar borboletas que mudam de lugar. E eu bem que pensei que quando não tivesse qualquer coisa, teria você.. pra abraçar, pra chorar, mas na verdade foi você mesmo quem me mostrou a faca enferrujada.. compreendi e não pude evitar. Orgulho e sentimentos estão feridos sem noção de quando vão se curar.. não consigo imaginar que alguém pode ser tão sincero quanto eu fui.. but you dont care.. but i care!
sábado, 14 de dezembro de 2013 0 comentários

Eu Acredito!


Hoje adormeci brevemente enquanto ao lado o notebook rodava um vídeo do psicólogo Flávio Gikovate, que falava sobre separações amorosas.. então eu sonhei com ele num programa que eu via pela TV, dando essa palestra mas na ocasião do sonho, ele estava vestido com uma espécie de túnica e estava num púlpito e muitas pessoas o assistiam falar.. me lembro do vídeo no notebook e exatamente de cada palavra proferida no sonho.. e então o sonho na verdade eram imagens sincronizadas com o áudio que eu, enquanto dormia, ouvia. Mas como podia meu subconsciente saber que, num exato momento do áudio, o Gikovate falaria do livro tal escrito no ano tal e apresentaria o livro à plateia em meu sonho, e no vídeo ele também apresentar o livro? Como poderia eu saber que naquele exato momento de tantos momentos.. ele falaria cada palavra daquela? Palavras ditas ao mesmo tempo em realidades diferentes? Seria impossível..  Outro sonho que tive certa feita foi quando eu tinha acabado de almoçar, coloquei o CD da Jewel e dormi. Sonhei que eu estava numa mesa com meu irmão e do lado tinha um rádio e eu queria ouvir uma música e então, no sonho, eu peguei o CD da Jewel e coloquei e quando começou a tocar no sonho, era exatamente a mesma musica que estava tocando no radio do meu lado, pois acordei no meio dela e foi como se eu continuasse a ouvi-la, só que acordado. Como meu cérebro saberia cronometrar o tempo de alguns acontecimentos no sonho como o fato de eu ter levantado pra pegar o CD  em relação ao tempo exato que a musica na nossa realidade iria começar? Como é possível essa sincronia? Eu mesmo sem saber, adivinhei? Mesmo dormindo? Qual a explicação para isso? Eu de fato estava lá! Naquele mundo, sentado ouvindo o Gikovate. Eu era eu mas com outra realidade. E naquele exato momento o Gikovate dava sua palestra e tudo estava sincronizado. Apenas a realidade que era outra. Conclusão? Definitivamente, sonhos não existem como pensamos que eles são. Os sonhos na verdade são Universos Paralelos que conseguimos experimentar nos momentos de falta de consciência ativa, já que nosso corpo é limitado e só consegue processar a consciência de uma existência por vez. Em todos os momentos em que sonhamos, seja durante o sono ou não, estamos visitando nossa existência paralela, vivenciando outros eventos que não são possíveis necessariamente neste universo, pois cada um possui regras próprias para todas as coisas. E ao que me parece, é possível que a ciência chegue a essa conclusão com a ajuda dos avanços nos estudos da física quântica. A consciência consciente entraria em colapso existencial se pudesse ser experimentada em sua plenitude. A solução natural para essa questão foi resolvida quando o próprio universo se divide nas incontáveis possibilidades a respeito de todas as coisas. Então, quando estamos sonhando, na verdade estamos vendo através de nós mesmos em outro universo, ou possibilidade de existência! Com qual certeza falo isso? Com a certeza com a qual se acredita no Big-Bang! A morte é ilusão. Já estão dizendo os cientistas.. e talvez os espíritas tenham um pouco de razão.. não se deixa de existir pois existimos por ai em outros mundos.. se morremos nesse universo, em outros estamos vivos! Nossas consciências estão de alguma forma interligadas, afinal somos nós mesmos em outras realidades! Universos Paralelos? Eu acredito!
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 0 comentários

utopia?


três foram as tentativas, frustradas, de escrever ontem aqui. Depois de voltas e voltas em palavras sem nexo... pára! A quem quero enganar? Eu não ia conseguir falar da mudança ou de qualquer outra coisa, e não podia continuar.  Só consigo agora lembrar de um sorriso que me toma o pensamento.. do perfume que fugiu do abraço e de um olhar sem palavras que o possam descrever... não pude segurar as lágrimas ouvindo Resentments e não consegui parar de sentir o cheiro que você deixou bem aqui no travesseiro.. Uma certeza estranha misturada na tristeza de ter que deixar você mesmo antes de a ti pertencer.. e quem diria que um dia estaria eu aqui falando dessas coisas, como um bobo apaixonado que nada quer entender. Apenas se afirma na contenção de sentimentos que não podem florescer, pelo menos por enquanto. “eu não entendo de armas mas acho que levei um tiro seu”. Sabe.. eu sou porta que poucos conseguem destravar e não sei se bom ou ruim, parece que você tem uma dessas chaves.. não consigo pôr aqui o que sinto quando teu cheiro me invade e infelizmente em instantes ele ficará desgastado e sairá. Tomara que seja o tempo de vê-lo novamente.. cada gargalhada e cada sorriso.. e seu jeito, sua ideias, aiai.. e toda vez que eu ouvir a Bey vou lembrar de você e de seu jeito.. juro que não queria te deixar.. não é fácil me arrancar sorrisos e ninguém nunca fez um brigadeiro tão bom! E como eu costumo pensar.. vamos ver o que o tempo tem em sua caixinha. Quero construir certezas, sair daqui sólido. e a gente se pega desenhando corações.. e não vou ficar me perguntando se as decisões que estou tomando estão certas ou erradas.. vou deixar o fluxo correr.. deixar o universo se expressar.. vai que eu me case com vc? ;)
terça-feira, 3 de dezembro de 2013 0 comentários

quer café?


.... e a propósito, quem nunca se viu em reflexo no fundo de uma xícara de café quando descuidadamente vira o ultimo gole e olha sem objetivo lá pra dentro?  Algo que dizem te deixar acordado unido a algo que promete te dar a ideia de como você está num abismo distante que te acorrenta e te transporta pra antes e pra depois, dentro e fora de você, numa paixão retumbante pelo que um dia foi, diferente do que era antes, sem nunca deixar de ter sido, metamorficamente mudando sem ser mudado. Lembrança da infância e os dos tempos de outrora numa saudade cravada no peito como espinho venenoso que aos poucos te mata e te aviva fazendo você ir lá e cá para dentro e para fora de você te deixando incapaz; de falar, de agir, olhar o reflexo. Coisas aparentemente insignificantes que remetem no fundo, literal ou não, a tantas coisas e ao nada e de tão engraçado ou curioso que possa parecer a gente se pega na vontade de colocar mais café, mas o reflexo ao fundo nos observa e então não sabemos bem o que fazer além de olhar de volta...Toma o reflexo para si ou toma-o com  açúcar para que não te arrebente tua garganta com o amargor da vida que levas. gélido e duvidoso olhar que não dá trégua  e te aprisiona no desejo de entender, sem deixar ser entendido, como funciona a vida, o reflexo e o café. Tá parado refletindo? Afinal, você quer?
Henrique Moreira Neto
domingo, 1 de dezembro de 2013 0 comentários

nostalgia



e dessa vez, o que me trouxe aqui? O passado que já está distante.. A nostalgia de reviver na mente algumas lembranças e sentir o coração bater de novo. Eu era pequeno ainda e caminha com velhos amigos em direção ao Polivalente.. Acordávamos cedo pelo simples prazer de andar bem devagar, chutando as pedras ate a entrada da sala.. A rua em frente costumava ser maior vista de lá do passado. Pisa no pé, vôlei e baleado.. Quem nunca? Os anos foram passando..paixões foram surgindo e então me vi mudando.. O engraçado é que as melhores partes a gente sempre guarda com carinho.. As que não valeram tão a pena sempre nos foge. Uma olímpicos de rolo registrou algumas cenas... E é engraçado como o universo fica preso à fotografia. O momento se congela num pedaço de papel que arranca aquilo de seu coração e então cada detalhe é reconstruído. Os anos continuam passando e hoje a rua é pequena e o velho banco já não nos cabe. Sempre éramos 5 ou 6.. Uns ficaram, outros sumiram e eu aqui estou. "caminhando e cantando e seguindo a canção.." Nunca vou deixar de no mínimo afirmar o quanto é difícil expressar o bem que o tempo nos faz.. e como éramos, e como somos, como pensávamos, como agíamos..hoje foi uma noite nostálgica.  me vi, me vejo e me projeto, num contínuo vir-a-ser.. nostalgia..
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revolta no whatsapp


Ei! Fiquei zangado não. Só ignorei pois não concordei com sua conduta.. tenho outro nível de compreensão das coisas e entendo que toda verdade se desfaz por serem elas, as verdades, todas relativas. E também cultivo o respeito e o bom senso e minhas opiniões passam por vários crivos antes de chegarem a outros ouvidos. Quase me senti ofendido, na verdade, mas ignorei. Você tem um jeito de levar a vida, eu tenho outro, e assim somo 7 bilhões de mentes e corações diferentes entre si e carregados, cada um com suas convicções. Para mim, amor próprio é esquizofrenia. Amor eu sinto numa relação com o próximo. Relação de qualquer tipo. Acredito na auto estima, auto valor, auto respeito, sobretudo. O que não me dá o direito de dizer que você é louco por dizer que se ama. O que não te dava o direito também de dizer aquelas coisas da forma como disse. Você confunde auto satisfação com amor próprio, talvez por medo ou receio, mas isso só diz respeito a você. Quem sou eu pra julgar alguém? Medite nessas palavras. Com carinho. Henrique.
sábado, 30 de novembro de 2013 0 comentários

e então..


Cheguei na casa de minha mãe, liguei o notebook e comecei a organizar uns arquivos e outras pastas.. e quando me dei conta estava assistindo aos vídeos que eu gravava lá no escritório da Vivocell. Fiquei olhando a cara de cada um e meditando em todo o tempo que eu fiquei por lá e comecei a pensar sobre o que é saudade, o que é amizade e o que é despedida. Despedidas, sinceramente, não gosto. Caiu a fixa. Saí da empresa e está vindo uma nova fase, e por isso digo que a vida é como um jogo as vezes. O que fica são as fotos, os vídeos e principalmente as lembranças.. é estranho se afastar de quem a gente ama.. não sabemos exatamente o que pensar ou como agir.. a gente vai deixando a maré nos carregar.. Só sei que por trás de cada “kiki”, ou de cada grito tipo “sai daqui Henrique!” ou então do recente “butowisky” existe um sentimento muito bom que não será esquecido e que estará presente em mim até que eu volte. Sim, pretendo voltar e guardarei tudo isso em meu coração. Tô me sentindo estranho, não vou negar. não tô muito inspirado não... Talvez tenha desaprendido a me expressar.. mas ainda consigo amar! Sim, amo cada um de vocês, e cada um do seu jeito. Vocês que fazem parte de minha vida e que me ensinaram muita coisa. Essa noite caiu a fixa. Essa noite eu chorei. E vou lembrar sempre de todas as coisas que passamos juntos. Somos uma família! 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013 0 comentários

meditação

Estou fadado à solidão,
Pois me doparam certa feita..
Doses cavalares de compreensão,
e me despiram do ego,
e me vestiram respeito,
Me roubaram o chão.
E me rasgaram o orgulho,
E me erguiam bondade.
Me ensinaram valor,
Eu espalhei amor,
E no caminhar penoso
Construí o meu chão.
Hoje aqui estou.
Nesse chão que fiz,
Que não é de giz,
Caminho e caminho,
Fugindo do fardo.
Aquele que é causa,
Que é efeito.
Que é,
Que foi,
Que eu.
Que,
Eu.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013 0 comentários

Maquete Acalento

Rabisquei dois ou três traços,

Na plaquinha de isopor;
De repente surgem portas, janelas e telhados.


Na porta tinha madeira, no telhado tinha gato,
E a tinta era amor com cheirinho de anil.
Na janela tinha cortina,
Com estampa primavera e cordinhas contenção.


- Romantismo à espreita! me dissera a velha sábia,
- Que bonito sentimento desde os tempos de outrora..
Ó Maria do meu bairro, aonde vais com esses cachos?
Senta aqui do meu ladinho, vem erguer a sua tenda...


Passa o tempo e funda a noite na salinha de maquete.
E entre tinhas e rabiscos e pretensos flocos brancos,
Brotam ruas, pingam casas, num gostoso Acalento.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013 0 comentários

postumo eterno


Quem nos delegou à superioridade?
Nós, meros amontoados quânticos,
Capricho de moléculas sem razão.

Consciência vã, vazia e triste.
Como todo e qualquer arranjo,
Quem nos deixou à sorte de nós mesmos?

Deuses e bactérias, ouro e demônios,
Continentes, riachos, população.
Raças, cores, covardia!

Quem concluirá sua invenção?
Prisioneiros de nós mesmos,
Deriva na existência - conexão.

O humano é sonho, atrevida pretensão.
O respeito, a tudo, é utopia, a mais pura ilusão.

Que nos delegou o poder?



Henrique Moreira Neto
quinta-feira, 3 de outubro de 2013 0 comentários

o meio, o dia e você


Você está deitado. Abre o olho e observa. Você está respirando. Você está vivo  e pode tocar tudo à sua volta. Você levanta e então a luz bombardeia teus olhos. Os odores impregnam tuas narinas, a existência se crava em tua alma na consciência de si mesmo e do mundo. Você enfim acorda. Você precisa comer e se livrar do suor da madrugada então você levanta e se dá conta também do seu corpo. Coloca uma roupa qualquer e anda até a porta de saída da casa que não é sua. Daí você se pergunta: O que é meu? Roda a maçaneta e se prepara para encarar um pedaço de asfalto, três faróis e muitos rostos desconhecidos e sonolentos. O que são todos esses carros e todas essas pessoas mal-humoradas? Você segue seu caminho. Pisoteia passeios sagrados com os pés que outrora macularam seu espírito e segue. Você está vendo, sentindo o vento, respirando, andando. Você gosta do que vê e abomina outras visões. Você coloca os fones de ouvido e insistentemente atualiza sua página do facebook. Você se pega na espera, se surpreende no aguardar e então volta seu olhar à frente. Tiago Iorc balbucia seu alaúde atraindo do fundo de sua existência àquilo que você mais temia que aparecesse. Você segue, ouvindo e vendo e andando e respirando e então você é sugado. Entra em seu santuário e suas obrigações diárias te trazem de volta à um mundo conhecido, porém esquecido e ignorado durante o sono. Você insistentemente atualiza sua página do facebook. Você se pega na espera e cansa. O relógio de hoje brinca com seu coração e perturba a calmaria de ontem. Você vai novamente pra rua. Você ouve as buzinas e perguntar por que estão umas chamando as outras? Você se perde. Você se encontra. Você olha em volta e procura um sentido. Sentido para o céu azul, para a fumaça dos carros, para seu coração. Você quer entender o que significa tudo ao mesmo tempo que quer ficar na dúvida pela decepção que pode ser abrigar uma certeza. Você não consegue entender e levemente se desespera. Você fica insatisfeito e se alegra novamente. A todo momento você lembra a você mesmo quem você é e o por que de você estar ali. Os seus eus se conversam e entram num acordo. Você insistentemente atualiza sua página do facebook. Você se pega na espera.. Está tudo bem, calma! Você está bem e nada está fora do lugar. Você procura um sentido, ainda assim. Algo não está certo, você sabe disso. Mas nada está errado, então, o que há? Você não sabe e decide não querer saber. Você fecha os olhos e segue. Você existe. Você precisa continuar. Você volta para a casa que não é sua e se pergunta novamente: o que é meu? Você não sabe exatamente o que fazer depois de se fechar em seu casulo. Você se livra mais uma vez do suor e deita. Você insistentemente atualiza sua página do facebook. Você se pega na espera.. Você fecha seus olhos e sente. Você já não consegue ver e apenas sente. Você vai deixando de se perguntar, você vai encontrando o sentido. Você deixa de perceber. Você deixa de existir até que a próxima luz bombardeie novamente seus olhos e o ciclo eterno se repita. 

 
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